Parcerias com Orgãos Estaduais


Cadeias produtivas

Os programas que a CATI desenvolve tem como objetivo fomentar para fortalecer o setor agrícola, com ações conjuntas dos órgãos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e de parceiros do setor privado, focando esforços na recuperação de áreas degradadas e nas principais cadeias produtivas do estado de São Paulo: aquicultura, bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, cafeicultura, fruticultura, heveicultura e olericultura.

  

Aquicultura

 Em São Paulo, das 2.904 propriedades identificadas com piscicultura de água doce no sistema de produção, cerca de 70% são conduzidas por pequenos agricultores, que adotaram a atividade para a diversificação de renda na propriedade. (LUPA, CATI) 

Em 2010, a produção total brasileira de pescado foi de 1,2 milhão de toneladas, sendo 479 mil toneladas (40%) oriundas da aquicultura, que em São Paulo tem apresentado grande crescimento, principalmente com a piscicultura em tanque-rede. A produção em viveiros escavados ganhou novo estímulo, com maior facilidade para aquisição de insumos e comercialização de seus produtos. (Ministério da Pesca e Aquicultura, 2013) 

A atuação da CATI na aquicultura tem por finalidade orientar e capacitar produtores e trabalhadores para as várias etapas da produção, como planejamento, alevinagem, recria de alevinos, manejos sanitário e zootécnico, nutrição, processamento, aproveitamento de resíduos, monitoramento da qualidade da água, controle administrativo, organização em grupos, entre outros temas. 

Entre as metas do Projeto de Aquicultura da CATI está a capacitação dos técnicos nele envolvidos, dos aquicultores e trabalhadores nas diversas etapas da produção; a instalação de Unidades Demonstrativas (UDs); e o mapeamento da piscicultura no Estado, começando pelos principais polos de desenvolvimento. 

Um importante passo para o desenvolvimento sustentável da atividade no Estado foi a divulgação de normativos visando à simplificação do licenciamento ambiental na aquicultura, que contou com a atuação efetiva de técnicos da CATI. Em conjunto com a Apta e com o Instituto de Pesca, a CATI vem desenvolvendo o Plano de Desenvolvimento Social de Aquicultura, visando à produção de alevinos de boa qualidade e de espécies melhoradas. 

Nas Casas da Agricultura, o piscicultor encontra o apoio necessário para planejar, implantar e conduzir seu empreendimento aquícola, acessando informações, resultados e experiências bem-sucedidas. 

 

Bovinocultura de Corte  

Em São Paulo, a bovinocultura de corte gera R$ 5,2 bilhões anuais e é a segunda principal atividade em termos de Valor da Produção Agropecuária (VPA), atrás apenas da cana-de-açúcar (IEA, 2010). Contrariando o velho mito de que seria uma atividade própria de latifúndios, a bovinocultura de corte paulista espalha-se pela metade de todas as propriedades rurais. São mais de 163 mil propriedades onde se criam bovinos de corte e de aptidão mista, com área média de apenas 34 hectares. 

Ao lado das propriedades especializadas, em que se vê uma criação intensiva e de alta lucratividade, na maioria das pequenas e médias propriedades adota-se ainda o sistema extensivo de produção, de baixa tecnologia, baseado em pastagens pouco produtivas, e cuja rentabilidade resulta muito baixa. No caso, a criação de bovinos muitas vezes é uma atividade secundária, que utiliza terras marginais e de baixa fertilidade da propriedade, mas ainda assim é importante no negócio do produtor rural, já que representa uma reserva de capital, de baixo risco e de elevada liquidez. 

Nos últimos anos, a baixa competitividade que prevalece nessa cadeia produtiva tem provocado redução do rebanho e uma substituição de uso da área de pastagens por explorações mais rentáveis. Para o enfrentamento desses gargalos, a estratégia da CATI prevê ações em três áreas prioritárias: 

  • ambiental: recuperar a fertilidade dos solos e a produtividade das pastagens degradadas, pela adoção de técnicas de cultivo mínimo e de integração da pecuária com outras atividades econômicas. Manejar as áreas recuperadas de forma a propiciar maior sequestro de carbono pelos cultivos forrageiros e racionalizar o uso da água na exploração. 
  • assistência técnica: incentivar a intensificação do sistema produtivo com base no aumento de produtividade dos diversos fatores de produção, sobretudo pastagens, instalações e no manejo do rebanho, para elevar os baixos índices zootécnicos observados na maioria das pequenas explorações. 
  • mercado: estimular a adoção de medidas de rastreabilidade, identificação de animais e certificação dos produtos a serem comercializados, bem como a sua qualidade. 

Bovinocultura de Leite 

A atividade leiteira está presente em 120 mil das 300 mil propriedades rurais paulistas, sendo que 86% dos estabelecimentos produzem menos de 100 litros diários (Embrapa Gado de Leite, 2005), destacando-se no agronegócio brasileiro pela importância tanto no âmbito da geração de divisas para o país como para a segurança alimentar, uma vez que o leite é um alimento completo, que faz parte da dieta alimentar dos consumidores brasileiros. 

Em face dessa situação, em 2007, a CATI criou o Projeto CATI Leite com o objetivo de prestar assistência técnica e extensão rural aos produtores de leite, promover o desenvolvimento sustentável da atividade leiteira, por meio da transferência de conhecimentos aos técnicos e produtores paulistas, não só na área de produção leiteira (alimentação, sanidade, qualidade do leite e reprodução animal).

 O projeto também visa aprimorar os conhecimentos em planejamento operacional e estratégico, comercialização, associativismo, entre outros. Com isso, a CATI pretende ampliar o acesso dos produtores ao mercado, proporcionando competitividade a todas as empresas ligadas ao setor leiteiro, possibilitando a melhoria da qualidade de vida das famílias rurais. 

Cafeicultura 

A cafeicultura ocupa um lugar de destaque em São Paulo, seja pela produção ou pela ocupação de mão de obra nos municípios onde está instalada, sendo grande geradora de renda. O Estado tem hoje uma área de aproximadamente 225 mil hectares, que produzem mais de cinco milhões de sacas beneficiadas e geram uma receita estimada em quase dois bilhões de reais (IEA, 2012). De um total de 23 mil produtores de café, 70% são de pequenos cafeicultores. Estima-se que cada hectare cultivado gera, em média, 2,3 empregos diretos e uma renda bruta de aproximadamente oito mil reais. 

São Paulo é líder, no Brasil, do agronegócio do café, pois responde por 75% das exportações brasileiras, torra 37%, e consome a metade de todo café torrado e moído. Produz ainda, 80% do café solúvel que o país consome, abrigando as principais marcas nacionais e as maiores indústrias do país, com tecnologia de ponta e marketing avançado. Também lidera na pesquisa científica, com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC). 

Por meio de Planos Regionais de Desenvolvimento Rural, lideranças do setor diagnosticaram que entre as principais dificuldades enfrentadas pelos cafeicultores estão: deficiência na gestão do negócio, mão de obra pouco qualificada e reduzida, lavouras com espaçamentos que não permitem a colheita mecanizada, baixa qualidade do café colhido e falta de organização dos produtores. 

Diante deste cenário, a CATI que sempre esteve presente, por meio de seu corpo técnico, em todas as atividades ligadas à cafeicultura, continuará a apoiar a expansão da atividade e o fortalecimento dos agricultores familiares, intensificando suas ações com a promoção de Dias de Campo, seminários, palestras; implementação de Unidades Demonstrativas; e capacitação de técnicos das Regionais, onde a atividade tem grande importância econômica.

 Fruticultura 

A fruticultura paulista ocupa uma área superior a 930 mil hectares, produz mais de 18 milhões de toneladas e está presente em mais de 59 mil propriedades rurais. Embora seja o maior produtor de frutas do Brasil, ainda é um grande importador de outros Estados, por isso tem um grande potencial de crescimento, principalmente no segmento da agricultura familiar. Porém, algumas culturas enfrentam problemas fitossanitários, como nos casos da citricultura (cancro cítrico e greening), da banana (sigatoka negra) e do maracujá (virose). 

Para minimizar os impactos econômicos e controlar o avanço de pragas e doenças, bem como incentivar o plantio de espécies variadas de frutas, a CATI está desenvolvendo o Programa Fruticultura Paulista Sustentável, com ações em três linhas básicas: 

Educação Sanitária em Citros – ações educativas realizadas em conjunto entre os órgãos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e de instituições privadas que atuam no setor, visando minimizar os prejuízos causados por problemas fitossanitários que ameaçam a citricultura da região Noroeste do Estado. 

Fortalecimento da Fruticultura Paulista – ações para organizar a cadeia produtiva, com ênfase no fortalecimento do setor produtivo, tendo por meta a transferência de informações e conhecimento e a sua adequação às exigências de sustentabilidade do mercado consumidor. 

Nova Fruticultura Paulista – ações com a finalidade de promover condições para a instalação de novos pomares, visando oferecer uma atividade alternativa que, além de viabilizar economicamente as pequenas propriedades rurais, ajudarão na sua adequação às legislações ambientais. 

Heveicultura

 A cultura da seringueira demora, em média, sete anos para iniciar sua exploração econômica e deve receber a atenção apropriada para que esse tempo de espera seja recompensado economicamente. De acordo com o LUPA, a heveicultura abrange 4.402 Unidades de Produção, em mais de 77 mil hectares. 

A vida útil de um seringal depende basicamente da qualidade do trabalho de sangria, pois é por meio da frequência de corte, profundidade e inclinação que se definem os critérios para a qualificação do trabalho. Do ponto de vista social, segundo o MAPA (2007), o emprego de mão de obra na atividade é intensivo, estimando um sangrador para cada cinco a 10 hectares. Considerando-se a capacidade média de trabalho de um sangrador de seis hectares e a quantidade de pés novos plantados e que entrarão em produção, necessita-se treinar em torno de 5.800 trabalhadores, para suprir a necessidade de mão de obra. 

Para promover o desenvolvimento sustentável e a expansão da atividade em São Paulo, a CATI está executando o Projeto de Heveicultura com a realização de capacitações para técnicos da rede e sangradores, atualização das informações do LUPA das propriedades com seringueira e treinamentos em boas práticas. 

Olericultura 

A olericultura está amplamente distribuída em todo o território paulista, havendo uma concentração no entorno das regiões metropolitanas. Segundo o LUPA (2007/2008), o Estado possui 42.104 Unidades de Produção Agropecuária (UPAs), que produzem pelo menos uma espécie olerícola. 

Dados do Ministério da Indústria e Comércio, revelam que a olericultura é fator de empregabilidade com baixo investimento inicial de capital, pois a cada R$ 5 mil investidos na atividade, pode-se gerar até dois empregos diretos. Outra característica relevante da atividade olerícola no Estado, é a elevada receita por hectare/ano. 

Com o objetivo de melhorar o acesso ao mercado olerícola paulista, por meio de adoção de boas práticas agrícolas e de estratégias adequadas ao mercado, a CATI está executando o Projeto da Cadeia Produtiva de Olericultura, com metas que incluem a capacitação de produtores em utilização de ferramentas de gestão administrativa e boas práticas; fortalecimento de organizações de produtores; e a instalação de Unidades de Adaptação de Tecnologia.

 A instituição também atua na capacitação contínua dos produtores, para que possam acessar políticas públicas, como os Programas Federais de Aquisição de Alimentos (PAA) e de Merenda Escolar (PNAE), e o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS).