Seminário de Fruticultura de Clima Temperado e Dia do Caqui são atrações em São Bento do Sapucaí reunindo técnicos, pesquisadores, estudantes e produtores

Um público bem diverso esteve reunido em São Bento do Sapucaí, dia 17 de maio, para participar do XII Seminário de Fruticultura de Clima Temperado e III Dia do Caqui oferecidos todos os anos pelo Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes (DSMM) da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI). Alguns estavam participando pela primeira vez, outros já são velhos conhecidos do Núcleo de Produção de Mudas (NPM) de São Bento do Sapucaí, localizado na Serra da Mantiqueira, aos pés de um dos pontos turísticos mais famosos da região, a Pedra do Baú.

Alguns destes são assíduos frequentadores, sempre aparecem para tirar uma dúvida com o Dr. Amélio (Amélio José Berti, diretor do NPM) ou com a Dra. Silvana (engenheira agrônoma, doutora em fruticultura de clima temperado), outros visitam de quando em quando, compram mudas ali há mais de 20 anos e outros há mais de 30 anos e se lembram dos primeiros plantios de atemoia, um fruto de aparência estranha, mas muito doce e saboroso, com parentes como a pinha e a graviola, introduzido pelo engenheiro agrônomo Takanoli Tokunaga, que dirigiu o Núcleo de Produção de Mudas de São Bento do Sapucaí por vários anos antes de passar a batuta para Amélio Berti, atual diretor, e para Silvana Catarina Bueno, que não apenas deram continuidade ao trabalho, mas investiram em novas variedades e técnicas, bem como no incentivo à diversificação da fruticultura na Serra da Mantiqueira. Foi com esses técnicos que teve início há 12 anos o Seminário de Fruticultura de Clima Temperado e há três anos o Dia do Caqui.

No XII Seminário Fruticultura de Clima Temperado e no III Dia do Caqui mais uma vez o número de participantes ultrapassou uma centena; foram cerca de 120 interessados que ouviram atentamente as palestras deste ano, voltadas aos cuidados com o meio ambiente. Organizadora do evento, Silvana Catarina Bueno conta que já fazia algum tempo que queria trazer à São Bento do Sapucaí os pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, Afonso Peche Filho, para falar sobre “Mecanização Conservacionista na Implantação de Pomares”, e Hamilton Humberto Ramos, para explicar a “Tecnologia de aplicação de defensivos em fruteiras”.

Essa preocupação ambiental na produção vem tendo um enfoque maior desde que assumiu a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, o deputado federal Arnaldo Jardim, que tem em sua trajetória uma grande preocupação com os temas relativos à proteção dos recursos naturais e com a saudabilidade dos alimentos produzidos em São Paulo. “O secretário gostaria muito de ter vindo a esse encontro, ele tem acompanhado todos os trabalhos desenvolvidos pela CATI por meio do Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes e estamos agendando uma visita para que ele conheça o NPM de São Bento do Sapucaí e todo o trabalho desenvolvido aqui pelos nossos técnicos”, falou Ricardo Lorenzini, diretor do DSMM, na abertura do evento, representando, na ocasião, o secretário Arnaldo Jardim.

Prestigiaram a abertura do Seminário, o prefeito Ronaldo Rivelino Venâncio e a vice-prefeita, Ana Catarina Benassi, que ressaltaram a importância do NPM para o município. “Temos orgulho de sediar essa unidade que tem trazido tantos benefícios para os produtores da Serra da Mantiqueira”, frisou o prefeito. Parceiro em todas as edições do seminário, o produtor e proprietário do Viveiro Frutopia, Rodrigo Veraldi Esmael, lembrou que a Serra da Mantiqueira tem sido tema de reportagens e procurada por investidores. “Depois do auge na década de 1950, nos anos 1980 e 1990, a fruticultura tinha se tornado insipiente nesta região, mas foi retomada há 12 anos. Este Seminário tem servido para isso e para tornar realidade o sonho de muitos”, comentou Rodrigo Esmael.

“Buscamos, a cada ano, trazer diferentes temas para debate; este ano temos palestras mais conceituais, que refletem uma preocupação maior em propor uma agricultura sustentável, com respeito ao meio ambiente e à saúde humana”, explicou Silvana. Além dessas duas palestras, convidamos o casal de vitivinicultores, Célia e Marco Carbonari, para apresentar o caso de sucesso na produção de vinhos, inclusive com duas premiações (medalha de prata nas edições 2016 e 2017 do Concurso Mundial de Vinhos realizado em Bruxelas). E para oferecer novidades em fruticultura, foi convidado o doutorando Ricardo Bordignon Medina, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP) que apresentou o potencial para a produção de mirtilo ou blueberry, como também é conhecida a fruta de coloração azul-arroxeada que dá tanto sabor aos mais variados doces e geleias utilizadas na culinária internacional.

O XII Seminário de Fruticultura de Clima Temperado e o III Dia do Caqui também tiveram este ano o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag) na inscrição. Além disso, contou com um estande de venda de publicações da CATI, editadas pelo Centro de Comunicação Rural da entidade.


Abertura do evento é prestigiada por autoridades locais e público lota auditório do NPM São Bento do Sapucaí


Palestras

“Mecanização Conservacionista na Implantação de Pomares” - Peche afirmou que a fruticultura moderna é construtivista, lembrou de onde surgiram as primeiras técnicas aplicadas e no entendimento que não é possível se fazer no Brasil, um País com clima tropical e sub-tropical, a mesma agricultura que se faz na Europa e no Japão de onde vieram os imigrantes responsáveis por implantar, principalmente em São Paulo, a produção de frutas, hortaliças e demais culturas. E afirmou que “não é mais possível pensar em produzir sem compreender o espaço produtivo como um todo, aplicando tecnologias e estratégias operacionais que tornem eficiente o uso dos recursos naturais e se obtenha ótimo desempenho produtivo”.

“Tecnologia de aplicação de defensivos em fruteiras” – Hamilton Ramos abordou o tema lembrando que é possível reduzir em até 70% a quantidade de produtos se o conceito de aplicação tiver sido entendido: “A chance de jogar produto fora é grande”, disse o pesquisador complementando que “jogar defensivos não é a mesma coisa que distribuir a mesma quantidade”. Hamilton falou ainda sobre o programa “Aplique Bem”, desenvolvido pelo IAC e que oferece um treinamento prático para aplicação de defensivos usando tipos adequados de bico e uso correto do tamanho e número de gotas de produtos. “Pulverização econômica é aquela que não precisamos fazer”, alertou ao falar sobre os conceitos para se ter uma agricultura equilibrada.

“Produção de Vinho Fino em São Bento do Sapucaí” – Célia e Marco Carbonari contaram o que os levou a investir em produção de vinhos na região pela qual se apaixonaram e falaram sobre os primeiros passos, em 2004, quando implantaram o primeiro pomar de uvas viníferas com 4.500 pés; os primeiros vinhos “todos saboreados” e nenhum comercializado; o aumento da área, com mais 25 mil mudas; as produções que os levaram a ganhar, em 2016 e 2017, as medalhas de prata no Concurso Mundial de Vinhos de Bruxelas e o planejamento futuro com a construção da adega na Villa de Santa Maria, no Vale do Baú; enfim, o planejamento a longo prazo e o retorno financeiro com a comercialização de vinhos finos de qualidade produzidos em terras que oferecem um excelente “terroir”, ou seja, com condições de solo e clima adequados à produção de vinhos finos.

“Cultivo do mirtilo em região de clima subtropical” – Ricardo Medina falou sobre os experimentos realizados com o mirtilo e o potencial de cultivo no Brasil, aproveitando uma janela para o oferta do produto nacional quando os principais produtores, Canadá e Estados Unidos, não conseguem suprir a demanda que tem sido cada vez maior.

III Dia do Caqui: as principais preocupações do produtor

As duas palestras apresentadas por Pedro Maranha Peche, da Universidade Federal de Lavras (Ufla), “Destanização do caquizeiro” e “Controle da maturação de frutos do caquizeiro” e a palestra “Boas Práticas de colheita e pós-colheita do caqui”, apresentada pela pesquisadora Eliane Aparecida Benato, do Instituto Biológico (IB), órgão ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta/SAA), trouxeram os principais cuidados para a boa comercialização dos frutos das mais conhecidas variedades de caquizeiros. Para isso, é necessário observar as Boas Práticas de Produção, desde o campo até a pós-colheita, quando é feita a destanização do caqui usando as técnicas apresentadas por Pedro Peche, aos cuidados com a saudabilidade dos frutos (aspectos nutricionais apreciáveis) apresentados por Elaine Benato além de outros aspectos, os quais podem levar à contaminação cruzada ou não, procurando com esses cuidados atender a oferta de produtos saudáveis para alimentação.

O engenheiro agrônomo Renato Alves Pereira, da Casa da Agricultura de Guararema, da área de atuação da CATI Regional Mogi das Cruzes, foi convidado a falar sobre a grande preocupação dos produtores de caqui com a principal doença fúngica que dizimou pomares em outros países e chegou ao Brasil, no Estado do Paraná, e vem apresentando casos nos pomares paulistas, notadamente no município de Santa Isabel, com a variedade Guiombo: a antracnose. Renato, especialista em fruticultura, principalmente quando o assunto é caqui, alerta que “detectada a doença, não há o que ser feito; as medidas devem ser preventivas, com o cuidado com o manejo dos pomares, como a retirada dos materiais após a poda, entre outras medidas”.


Silvana Catarina Bueno é especialista em fruticultura, organizadora do Seminário e
produtora experiente de caquis.

Depoimentos

Marco Antonio Tecchio, professor e doutor em fruticultura, já foi pesquisador do IAC quando, em parceria com a CATI, foi um dos autores da publicação Vinhedo Paulista (à venda no setor de publicações da CATI), e hoje está na Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Departamento de Horticultura, da Faculdade de Ciências Agronômicas de Botucatu. Acompanhado de um grupo de 15 mestrandos, Tecchio falou sobre a importância de levá-los a conhecer a região e, principalmente, as atividades desenvolvidas pelo NPM de São Bento do Sapucaí, onde diz sempre aprender muito com Amélio Berti e Silvana. “Eles estão sempre pesquisando, desenvolvendo novas técnicas, observando e trocando experiências com muitos pesquisadores, especialistas e produtores que procuram o NPM; daí a riqueza de se conhecer este local, participar do Seminário e aprender com eles; eu aprendo muito”, afirmou Tecchio.

Outro entusiasta das capacitações oferecidas em São Bento do Sapucaí é o produtor de Itatiba, Roberto Ferrari, que frequenta o NPM há 20 anos. Ferrari oferece um turismo rural “de passagem” e tem no Sítio São José um pomar diversificado com muitas mudas da CATI: atemoia, caqui, uva, morango, jabuticaba, goiaba e figo para oferecer in natura ou em compotas e geleias. “Os Seminários são sempre muito bons, tratam de diversos temas e possibilitam trocar informações e também venho sempre em busca das mudas que são de ótima qualidade”, disse Ferrari.

Humberto Flora é outro frequentador assíduo; com propriedade em Campestre (MG), ele produz pêssego, nêspera, atemoia e caqui para os mercados de São Paulo e Belo Horizonte. “As mudas produzidas pela CATI são as melhores”, afirma o produtor, que sempre participa dos Seminários de Fruticultura em busca de novas informações.

Mas tem sempre aqueles que participam pela primeira vez, renovando o público. Geralmente comparecem em busca de informações porque estão iniciando a atividade. Djanira Apolinário e Marcelo Lima são de Taubaté, adquiriram uma propriedade e estão estudando o que implantar. “A fruticultura nos interessa, queremos praticar um cultivo natural, oferecer produtos saudáveis e agregar valor, transformando os produtos em geléias, sucos, compotas. Estar aqui é fundamental para tomarmos decisões”, afirmaram Marcelo e Djanira, ambos de áreas totalmente diversas à agricultura. “Eu era enfermeira, agora quero trabalhar em algo totalmente diferenciado; tinha uma profissão extressante, agora quero ter mais prazer e a agricultura está sendo o caminho escolhido. Por enquanto estamos buscando informações para começar direito”, afirmou Djanira.

Tiago Marchetti é de Indaiatuba e participa pela primeira vez à convite da Fundag, parceira nesta edição. Produtor de caqui, Tiago veio em busca de mais informações sobre o caquizeiro e pós-colheita do caqui. “Tenho uma área pequena com 1.200 plantas; a maior dificuldade em produzir hoje é a escassez de mão de obra, mas acredito que produzir com qualidade é o maior investimento, então venho em busca de informações”.


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