Secretaria de Agricultura e Abastecimento incentiva a produção de cafés especiais no Circuito das Águas Paulista

Ações realizadas na região, pela Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) Regional Bragança Paulista,

em parceria com representantes de todos os elos da cadeia produtiva, da iniciativa privada e do poder público municipal,

têm o objetivo de valorizar e promover a região como produtora de cafés diferenciados pela qualidade.

 

            O café apresenta importância fundamental na economia do Estado de São Paulo e do Brasil, pois o País detém o posto de maior produtor e exportador de café e o segundo maior consumidor da bebida no mundo.

            A maioria dos municípios do Circuito das Águas Paulista,atendidospelaCDRS Regional Bragança Paulista, tem sua história identificada com a cultura do café, o que pode ser comprovado pela identidade na arquitetura de prédios e casarões centenários e na sua própria colonização.“Tivemos mudanças consideráveis na estrutura fundiária e na produção agrícola da região, mas o café sempre esteve presente nas montanhas do Circuito das Águas. Em que pese toda essa tradição, até pouco tempo, o cultivo de café na nossa região (entre 2001/2002) não podia receber financiamentos, haja vista que a região não aparecia no zoneamento agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Ou seja, havia café, mas ninguém sabia”, informa Walmir Carmino Pisciottano, diretor da CDRS Regional Bragança Paulista, ressaltando que desde então, fruto de um trabalho efetivo de todos os atores envolvidos na cadeia produtiva, a questão do crédito rural foi resolvida.

         Passadas quase duas décadas, a região está sendo vista com outros olhos, sendo reconhecida pela produção de café de qualidade, demonstrando condições favoráveis para melhorar ainda mais.  “Há muito notou-se que essa qualidade intrínseca sempre existiu, mas por conta das características de comercialização realizadas na região, o café do Circuito das Águas acabou sendo diluído na composição de blends, em outras regiões produtoras como a Alta Mogiana e o Sul de Minas, as quais sempre foram sinônimo de qualidade. Mas agora esse cenário está mudando”, afirma Walmir.

            Para essa grande mudança ter ocorrido, muitas ações têm sido colocadas em prática, sendo uma das principais o  envolvimento de diversos atores da cadeia produtiva da região na elaboração e execução de projetos, como a CDRS; a Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Circuito das Águas Paulista (Acecap); os sindicatos rurais; a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) - Polo Leste Paulista; o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e as prefeituras municipais.

 

            Atualmente, a região do Circuito das Águas Paulista conta com aproximadamente 1.500 propriedades com café, cultivado em cerca de 8 mil hectares. “Cada produtor tem sua estratégia de negócio e, mesmo nas melhores propriedades, é praticamente impossível produzir tudo e sempre no mesmo padrão de qualidade, muito café ainda será comercializado como commodity, mas existe tecnologia e potencial para a região produzir um café com características de excelência”, ressalta Walmir, acrescentando que historicamente na região o café é comercializado na forma de café em coco (sem saber a real qualidade de seu café) ou, eventualmente, na forma de café verde por parte dos produtores para empresas ou cooperativas. “Isto sempre na forma de commodities, o que, na maioria das vezes, implica preços desestimulantes”.

           Analisando dados que apontam que o consumo interno brasileiro é de apenas 9% de cafés especiais e 91% são de cafés tradicionais, os extensionistas da CDRS e cafeicultores do Circuito das Águas notaram que, a cada ano, tem aumentado o número de consumidores que estão à procura e dispostos a pagar mais por cafés especiais, a partir da informação de que, em 2017, o mercado interno de cafés especiais cresceu entre 10 e 15%. “São muitas as diferenças entre um café tradicional e um café especial, desde sua composição até a torra do grão, o que leva à características diferenciadas acentuadas no aroma e sabor, levando a diferenças significativas no valor do produto, principalmente quando existe a verticalização no processamento do café (café em grão ou torrado e moído)”, explica o diretor.

            Nesse contexto, Walmir ressalta que, em parceria com os diversos atores da região já mencionados, a CDRS tem desenvolvido inúmeras atividades. Uma delas são as capacitações, como a realizada recentemente sobre o Currículo de Sustentabilidade do Café (CSC) para técnicos da CDRS, consultores da iniciativa privada e produtores associados da Acecap. “Este treinamento foi alinhado com as diretrizes do "Programa Cidadania no Campo 2030" lançado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, uma vez que contempla apoio às organizações rurais, assistência técnica, desenvolvimento das cadeias produtivas, adoção de Protocolo de Boas Práticas, capacitação e treinamento elaborados e executados em parceria pela CDRS e a Apta,e certificação de denominação de origem, pois o Circuito das Águas Paulistafoi incluído, pelo MAPA, como região com potencial para receber a Indicação Geográfica (IG), que atesta a qualidade superior dos cafés nela produzidos”.

            Ainda de acordo com ele, o próximo passo será aproveitar o intenso fluxo turístico que a região recebe para apresentar o produto “café” diretamente ao consumidor; e, também, fomentar a visita de compradores de café de qualidade para a região. “Dessa forma iremos universalizar a informação de que a região tem sim café e de qualidade. A cafeicultura faz parte da nossa história e do nosso dia a dia, mas agora temos o orgulho de dizer que aqui se faz um café especial!”, finaliza o diretor da CDRS Regional Bragança Paulista.

           Sobre a cafeicultura no Circuito das Águas Paulista

          Algumas características específicas da cafeicultura localestão relacionadas à própria topografia da região, onde os cafezais estão em declividades que vão de 700 - 1.300 metros de altitude, tendo, em diversas áreas, marcantes traços de café de montanha. “Além disso, existe todo um histórico de cultivo de café na região do Circuito das Águas Paulista, inclusive pela significativa presença da imigração italiana”, explica Walmir.

          Com relação à qualidade intrínseca da bebida de cafés especiais, com base no relato de diversos provadores dos Concursos de Qualidade de Café, o profissional explica que o café da região tem um sabor característico de caramelo, aroma frutado e com alguma acidez, sempre variando com as diferenças naturais de cada cultivar de café.

          Em busca de ampliar a produção de cafés especiais, os cafeicultores da região têm adotado, cada vez mais, Boas Práticas Agropecuárias, sendo uma das metas da Acecap a utilização por todos os seus associados do Currículo de Sustentabilidade do Café (CSC). “Além disso, os produtores têm intensificado esses cuidados na fase de colheita (colheita de frutos maduros) e pós-colheita (secagem), um dos momentos em que a cultura requer mais atenção”, salienta Walmir.

 

Mais informações: (19) 3743-3870 ou 3743-3859

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