Secretaria de Agricultura de São Paulo realiza atualização de Censo Agropecuário Paulista

Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária (Lupa) já está em andamento e será realizado em 324 mil propriedades rurais do Estado de São Paulo.

O anúncio da atualização do Censo agropecuário paulista foi feito pelo governador do Estado, Geraldo Alckmin, no dia 28 de julho de 2016. O governador determinou que a Secretaria de Agricultura e Abastecimento baixasse a resolução nº 49, publicada no Diário Oficial, no dia 30 do referido mês e ano, para que o levantamento fosse iniciado no dia 1º de agosto de 2016, quando começou o ano safra.

Desde então, está em andamento a atualização da base cadastral do Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária (LUPA). “O LUPA é um instrumento para fotografar a realidade da produção agropecuária paulista, visando à elaboração de um diagnóstico que permitirá um maior planejamento e dará consistência às políticas públicas de apoio aos nossos produtores. Por conta de o setor agropecuário ser um dos que mais utiliza tecnologias, que vão desde técnicas de produção e manejo, passando pelo desenvolvimento de novas cultivares, até a utilização de agricultura de precisão, precisamos de uma ampla visão do setor”, destaca Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

A atualização será realizada pela Secretaria, por meio da CATI e do Instituto de Economia Agrícola (IEA), com o apoio da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) e Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro). “Esse levantamento é primordial, principalmente neste momento, em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) anunciou que não irá realizar um censo agropecuário nacional”, afirmou Arnaldo Jardim, enfatizando que a atualização do LUPA garantirá mais agilidade e precisão para atender às diretrizes do governador Geraldo Alckmin: apoio ao pequeno produtor e à agricultura familiar; saudabilidade dos alimentos; incentivo à pesquisa e ao conhecimento; e promoção de uma agricultura harmônica com o meio ambiente.

“Com essa terceira edição do LUPA, São Paulo terá um quadro atualizado da agropecuária, com informações gerais das Unidades de Produção Agropecuária; o uso e a ocupação do solo; um cadastro básico sobre os produtores, com informações socioeconômicas; sobre a propriedade e as tecnologias associadas à cada exploração agropecuária; máquinas e equipamentos; benfeitorias e instalações; acesso a programas governamentais e ao crédito rural. Esses dados compilados possibilitarão organizar ações voltadas ao planejamento e direcionamento das políticas púbicas, entre outras ações”, avalia João Brunelli Júnior, coordenador da CATI, que informa que o Censo será realizado em 324 mil propriedades rurais do Estado de São Paulo.

De acordo com o engenheiro agrônomo da CATI, Antônio José Torres, um dos coordenadores do LUPA e autor do projeto regional que deu origem à elaboração do levantamento em nível estadual (ver informações abaixo), esse trabalho é fundamental para a melhoria  da gestão da agricultura paulista, por meio de políticas mais ajustadas, e proporcionando melhorias nas estatísticas agrícolas que serão disponibilizadas para todo o setor.

O LUPA é realizado durante o ano-safra - período entre 1º de agosto de 2016 (quando se inicia o plantio) e 31 de julho de 2017.


Novidades da terceira edição do Lupa



Nesta nova fase, o LUPA  está sendo preenchido de forma digitalizada, o que otimiza o trabalho de compilação dos dados. “Nas outras edições, a ficha cadastral era preenchida à mão, pelos recenseadores e depois digitalizadas”, explica Mário Ivo Drugowich, diretor do Centro de Informações Agropecuárias (Ciagro/CATI), e um dos integrantes do grupo gestor do LUPA.

Essa modernização é resultado da aplicação de recursos do Projeto Microbacias II - Acesso ao Mercado, da ordem de mais de R$ 4 milhões, na aquisição de 650 microcomputadores de bolso, PDA (Personal Digital Assistent), os quais foram disponibilizados às Casas da Agricultura do Estado. “Fizemos uma capacitação para representantes das 40 Regionais da CATI, que foram multiplicadores das informações e do roteiro para utilização do PDA, para os extensionistas das Casas da Agricultura de sua região. Além disso, as equipes do Ciagro e do IEA, desenvolveram e adaptaram um software específico para o equipamento”, informa Mário Ivo, dizendo que entre tantas vantagens desse aparelho, possui, além das funções de um computador, as de um GPS de navegação e uma câmera fotográfica com georreferenciamento. Esses equipamentos, após o LUPA, servirão como ferramenta para os técnicos das Casas da Agricultura, na utilização de softwares para o desenvolvimento dos seus trabalhos corriqueiros, como o aplicativo que o Ciagro está desenvolvendo para possibilitar o enquadramento em Classes de Capacidade de Uso das Terras, para efeito de embasamento a projetos técnicos de conservação do solo como determina a legislação vigente.

Outra novidade foi a reformulação de alguns dados da ficha cadastral, para fazer a inserção de novas informações a serem coletadas. “Apesar de o número de unidades de produção não terem sofrido mudanças significativas ao longo dos anos – pois novas unidades são criadas, em sua maioria, a partir de desmembramentos ou anexação de propriedades –, o Lupa é um retrato temporal da estrutura fundiária, do uso e da ocupação do solo, de tecnologias agregadas e do perfil do produtor paulista. Por isso, é importante inserir novos questionamentos como foi o caso de perguntas sobre a Integração Lavoura, Pecuária e/ou Floresta (ILPF) e o Cadastro Ambiental Rural (CAR), no que diz respeito à produção sustentável; caracterização de público com necessidades especiais, para fins de projetos de acessibilidade na área rural; melhor caracterização da mão de obra envolvida na produção; participação da agropecuária na renda familiar; e atividades rurais econômicas não agropecuárias, como é o caso do turismo rural; todas relacionadas às demandas atuais”, explica Mário Ivo.

O primeiro levantamento foi realizado entre 1995 e 1996, o segundo entre 2007 e 2008, tendo este último envolvido cerca de três mil profissionais entre pesquisadores, recenseadores e técnicos da Secretaria e das prefeituras municipais. “Na coleta dos dados desta atualização estarão envolvidos funcionários das Casas da Agricultura, das Regionais e Departamentos da CATI, mas contaremos com o apoio das prefeituras, cooperativas e dos sindicatos, tendo em vista completar o nosso quadro de recenseadores, para que possamos abranger todo o Estado, dentro do prazo previsto. Esses colaboradores serão apoiados pelos técnicos da CATI”, afirma Mário Ivo.

Dados consolidados do último censo estão disponíveis no site www.cati.sp.gov.br

 

Sobre o Lupa

Segundo Mário Ivo, o embrião do LUPA foi gerado na década de 1990, com um projeto idealizado pelo engenheiro agrônomo Antônio José Torres, em Araçatuba, que fez um levantamento sobre os produtores e a agropecuária local. “A partir dessa iniciativa, foi possível projetar ações para realizar o levantamento de dados em nível estadual, com o apoio do engenheiro agrônomo Bernardo Lorena Neto, da Divisão de Extensão Rural da CATI, e do especialista do IEA, Francisco Alberto Pino.

O cadastro do LUPA é diferenciado do utilizado pelo IBGE, tendo apenas uma folha frente e verso, contra cerca de 10 do censo nacional. “Por conta disso, obtemos informações objetivas, mas com uma visão macro, que podem ser utilizadas de forma abrangente, também para realizar estatísticas por amostragem - para que os municípios recebam sua proporcionalidade no repasse de ICMS de forma justa-, realizar planejamento estratégico e visualizar cenários futuros para investimentos na agropecuária, inclusive para a iniciativa privada”, elenca Mário.

Um exemplo de análise de cenário futuro, que se desdobrou em ações práticas implementadas pela Secretaria, por meio da CATI, após a identificação, pelo LUPA, das áreas que seriam deixadas vagas pela migração da cultura da cana de áreas tradicionais no Estado. “Por conta de legislação que, entre outros temas, proibiu as queimadas e levaram à intensa mecanização da colheita, houve uma especial migração de áreas com relevo desfavorável à mecanização. Por meio do LUPA foi possível fazer um “raio x” dessas áreas, identificando as possibilidades de introdução de novas atividades agropecuárias, enumeradas nas cadeias produtivas priorizadas pela CATI (bovinoculturas de leite e corte, heveicultura, olericultura, aquicultura, café e fruticultura), como alternativas para os produtores locais, após a recuperação dessas áreas que estavam degradadas, pelo Projeto Integra SP. Com isso, foi dado início a um projeto de reordenamento espacial da ocupação agrícola para a agregação de valor do agronegócio, ou seja, identificamos as culturas que mais se adequariam ou poderiam expandir nas áreas da cana, levamos tecnologias e conhecimento para os produtores e, por meio do Projeto Microbacias II, associações e cooperativas locais foram fortalecidas e beneficiadas com recursos que possibilitaram a agregação de valor à produção, com a construção de agroindústrias, packing houses, áreas para processamento mínimo e beneficiamento, entre outras. Tudo isso foi realizado  com ações de assistência técnica e extensão rural, direcionadas para este contexto, por capacitações que foram realizadas para o corpo técnico da CATI, atuante nessas áreas”, avalia Mário.

Veja os spots de rádio sobre o LUPA aqui

Mais informações: (19) 3743-3870 ou 3743-3859
jornalismo@cati.sp.gov.br