Novas tecnologias: a Fazenda Ataliba Leonel, em Manduri, abre suas portas à inovação

O dia 13 de novembro foi de intensa atividade na Fazenda Ataliba Leonel, área que fica localizada na região sudoeste do Estado de São Paulo, no município de Manduri. Técnicos de várias Regionais CATI participaram, logo pela manhã, de uma reunião para definir sobre a criação, via edição de uma Portaria, de um Grupo de Trabalho (GT), que se tornará responsável pela implantação de um campo agrostológico para teste de 20 diferentes cultivares de gramíneas para formação de pastagens. Além desse campo, foi destinada uma área de um hectare onde será instalada uma unidade demonstrativa (UD), na qual serão aplicadas todas as técnicas preconizadas pela CATI para a pecuária, à princípio leiteira, mas também devem ser instalados outros experimentos voltados ao gado de corte.

Segundo João Menezes, engenheiro agrônomo lotado na Casa de Agricultura de Anhumas, município vinculado à CATI Regional Presidente Prudente, esta foi uma primeira reunião que teve como objetivo explanar as idéias e discutir as possibilidades. “Na área destinada à unidade demonstrativa deveremos contar com uma parceria público-privada, os termos jurídicos ainda serão estudados e definidos pelo advogado Ricardo Lorenzini, diretor do DSMM/CATI, com a consultoria jurídica da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA). Mas, a princípio, o parceiro fará a implantação do capim, a divisão das pastagens em piquetes e providenciará a irrigação, utilizando obrigatoriamente técnicas preconizadas pela CATI na gestão de uma propriedade leiteira. Será uma unidade modelo, um espaço de treinamento dedicado a receber a visita de produtores em capacitações oferecidas pela instituição para que verifiquem, entre outros aspectos, o custo/benefício, o desempenho das pastagens e dos animais, enfim, uma área de demonstração onde sejam aplicados todas os protocolos de Boas Práticas”, explicou Menezes.

       

A reunião rendeu e ao final da tarde, além da definição do campo e da área de teste, foram recolhidas amostras de solo para que tenha início o preparo do solo; no caso será um preparo convencional iniciando pela calagem e adubação para posterior implantação dos cultivos, provavelmente no mês de março. “Serão 800m2 em 80 parcelas de 10m2 , sendo quatro de cada diferente cultivar para saber qual ou quais melhor se adaptam”, acrescentou Menezes.

A Fazenda Ataliba Leonel tem cerca de 3.300ha, sendo 1.600ha de área agricultável, cultivados com cana-de-açúcar, nabo forrageiro, soja e milho variedade, carro-chefe de vendas; além disso, conta com represas e matas preservadas. “A utilização dessas áreas tem sido pensada para dar um retorno ao produtor rural, seja em forma de sementes, campos de adaptação de cultivares, campos de testes, áreas de demonstração de tecnologia. Enfim, trabalhamos de forma a melhor servir e atender o produtor rural em suas demandas e procuramos inovações que possam auxiliá-lo na tomada de decisões”, frisou o diretor do DSMM, Ricardo Lorenzini.

Capineira elétrica – sustentabilidade no campo

Os participantes e mais um grupo de produtores também foram convidados a acompanhar a explicação, seguida de demonstração de uso, de uma capineira elétrica para controle do mato. A área total tem 26ha cobertos com brachiária e mato alto e foi destinada ao cultivo de sementes orgânicas, em sistema de plantio direto; a área escolhida para o teste foi de 4ha. A capineira funciona com um gerador acoplado a um trator, transformando, amplificando e gerando impulsos elétricos que chegam aos aplicadores dessecando/queimando o mato. Com isso, diversos tipos de capins podem ser eliminados após um período que vai de três a cinco dias, mas na mesma hora já se percebe um murchamento do mato e a coloração diferenciada. A demonstração foi patrocinada pelo Centro de Testes, Avaliação e Divulgação (Cetadi), do Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes da CATI e foi coordenada pela engenheira agrônoma Maria Paula Domene.

       

A tecnologia é brasileira, desenvolvida em 1991 pela Universidade Estadual Paulista – Unesp - campus de Botucatu, e depois de passar por outra empresa, a tecnologia foi adquirida, em 1998, por uma holding que tem administração central na Suíça e no Brasil uma unidade em Indaiatuba. O diretor comercial da empresa no Brasil, Emilio Garnham, esteve no local para apresentar o equipamento e estudar a viabilidade de uma parceria com a CATI/DSMM na implantação de um campo destinado ao cultivo de sementes orgânicas.  Emílio contou sobre o funcionamento da capineira elétrica que já está sendo utilizada por várias prefeituras brasileiras, do Norte (Manaus-AM) ao Sul (Camboriú-SC). “Na área urbana é proibido o uso de produtos químicos para controle do mato e a capineira elétrica vem funcionando com grande eficiência. Todo o equipamento é alugado e os operadores são treinados pela empresa”, contou Emílio. A capineira em vários formatos já está sendo exportada para a Europa, onde a preocupação em atender às questões ambientais é cada vez maior, e nos próximos dois anos eles pretendem entrar nos mercados dos Estados Unidos e da América Latina.

Os custos são similares aos praticados no método tradicional de controle do mato com capinas químicas, o grande ganho realmente é ambiental. “O controle é feito em diversos tipos de mato e atinge até as raízes que morrem com as descargas elétricas, também não há deriva e, portanto, oferece maior economia, mas o maior ganho realmente é ambiental, sendo perfeito para o sistema orgânico”, salientou Maria Paula Domene. A engenheira agrônoma se inteirou sobre o assunto, fez o convite à empresa e também divulgou, via grupo de WhatsApp, aos produtores interessados em acompanhar a demonstração.

Quem assistiu, teve a oportunidade de comprovar um resultado quase que imediato. A capineira elétrica tem comprovada eficiência em diferentes tipos de mato que infestam os campos cultivados. O produtor de soja e milho Nilson Bonadeu viajou de Ubiratã, no Paraná, até a Fazenda Ataliba Leonel para acompanhar a demonstração e disse que estava voltando animado para a sua propriedade. “Quero passar para o cultivo orgânico de grãos e fiquei muito satisfeito com a eficiência da máquina; pude tirar algumas dúvidas quanto à eficácia em vários tipos de mato e na oferta de equipamentos diferenciados. Agora, além de conhecer o equipamento já sei que posso adquirir da CATI as sementes orgânicas que irei precisar; vou ser um cliente da CATI, com certeza!”, afirmou animado o produtor paranaense.

Existem equipamentos de dimensões variadas, o de 1,2m utilizado na demonstração é normalmente voltado às áreas urbanas, mas atende bem, por exemplo, linhas de cultivo de café; já os de 6m de largura podem ser de interesse para aqueles que cultivam grãos em sistema de plantio direto. O diretor da CATI Regional Piracicaba, Sérgio Diehl, acompanhou o teste e ficou muito animado com o resultado: “Isso é o futuro”, argumentou. Mais informações sobre a capineira elétrica podem ser obtidas com Maria Paula Domene, na sede da CATI, em Campinas pelo telefone (19) 3743-3828, ou pelo e-mail paula.domene@cati.sp.gov.br.

Secretário de Agricultura visita a Fazenda Ataliba Leonel

No mesmo dia 13, Francisco Jardim, atual secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em passagem pela região, foi recebido pelo diretor do DSMM, Ricardo Lorenzini, e pelos técnicos presentes à reunião e à demonstração para um bate-papo informal. Jardim lembrou o importante papel que a CATI vem desempenhando ao longo dos anos em várias áreas, desde a sua criação há mais de cinco décadas.

Para marcar a sua visita e a sua passagem à frente da Secretaria até o final deste ano quando haverá a troca de governo, Francisco Jardim plantou uma muda de Guanandi (Calophyllum brasiliense) na área da Fazenda Ataliba Leonel, a conhecida “Fazenda do Estado” e conheceu algumas das instalações, como os silos de armazenagem de grãos.

Mais informações: (19) 3743-3870 ou 3743-3859

jornalismo@cati.sp.gov.br