Estrutura para armazenagem de suco de laranja, apoiada pelo Microbacias II, possibilitará a expansão dos mercados, inclusive para o continente europeu

As inaugurações do Microbacias II continuam de vento em popa. No dia 7 de dezembro foi inaugurada, com recursos do Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado, a unidade de armazenamento e distribuição de suco de laranja processado da Cooperativa de Produtores Rurais de Agricultura Familiar (Coperfam), de Bebedouro.

Com o novo galpão de 1.094 metros quadrados, construído com recursos do Projeto, será possível armazenar 405 mil litros de suco na área seca, 300 tambores de 200 litros na câmara fria, beneficiar 163 produtores, gerar no mínimo nove empregos diretos, acessar com mais profissionalismo o mercado e dar sequência ao mercado de exportação. Essa estrutura, incluindo a aquisição de 450 paletes, porta-paletes e empilhadeira, somou mais de R$ 2 milhões, sendo R$ 800 mil apoiados pelo Projeto, R$ 800 mil financiados pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) e o restante contrapartida da Cooperativa, que conseguiu a verba graças ao prêmio conquistado com a certificação Fairtrade (comércio justo).

       

Jose Vicente da Silva, presidente da Coperfam, explicou que a Cooperativa surgiu em 2012, com o objetivo de atender produtores de laranja pertencentes à agricultura familiar. Sua criação foi uma iniciativa da Coopercitrus, uma das maiores cooperativas de produtores rurais do Brasil, que tem sede em Bebedouro, mas está presente em vários municípios do interior de São Paulo e de Minas Gerais. “De fato, com o apoio da Coopercitrus, pequenos produtores começaram a se organizar por meio da Coperfam, a qual passou a viabilizar a comercialização daqueles que não tinham escala em um momento de crise na citricultura”, avalia Silva. Atualmente, a Coperfam oferece o suco de laranja integral em embalagens Tetra Pak® e a produção de cerca de 76 mil litros anuais de suco é comercializada nas mais de 60 lojas da Coopercitrus e, em 2018, vendeu mais de 400 mil caixas no Fairtrade nos mercados da Europa. “A certificação é um grande diferencial do suco, que facilita a comercialização e valoriza o produto final. Por conta dessa certificação, a Cooperativa segue firme financeiramente e consegue pagar bem pela fruta do pequeno produtor”, avalia Silva. O presidente ainda fala sobre as expectativas com a nova fase dos cooperados. “A estrutura possibilitada pelo Projeto Microbacias II fará diferença, pois os produtores terão na sede própria um espaço adequado para armazenar o suco e mais autonomia de suas ações. Poderemos expandir ainda mais nosso mercado, inserir novas variedades de frutas em nossa cartela de produtos e inclusive oferecer os sucos para a merenda escolar e outros mercados da Europa”, planeja, informando que a nova estrutura passa a funcionar em maio de 2019.

      

Arnaldo Hernandez, produtor do Sítio São Sebastião, de Bebedouro, e que produz em dois alqueires a variedade de laranja hamline, contou que já passou por muitas dificuldades, desde a perda da produção até dívidas por conta de financiamentos, dificuldades com a indústria e o mercado. Há cinco anos, quando passou a integrar a Coperfam, encontrou na organização rural o caminho para facilitar a comercialização de sua produção. Em setembro de 2019 fará uma nova colheita não só dos frutos, mas da esperança na fruticultura. “Esse espaço traz ainda mais segurança e confiança no trabalho sério da Cooperativa e na valorização de nossa produção”.

Representando o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Francisco Jardim, João Brunelli Júnior, coordenador da CATI, disse em seu discurso que o poder público quando estabelece uma parceria concreta e séria com a iniciativa privada promove inúmeros bons resultados. “O interessante deste grupo específico é o apoio fundamental aos pequenos, pois consegue viabilizar a comercialização daqueles que têm apenas 10/15 mil pés de laranja e que sozinhos não sobreviveriam por vários motivos, como não ter escala ou mercado. Essa é a função do cooperativismo. O Estado tem o papel de ser facilitador e oferecer políticas públicas a favor dos produtores rurais. Cabe a eles honrar seus compromissos e trabalhar com responsabilidade. Façam uma gestão transparente, administrem bem o estoque, aumentem a variedade dos produtos, invistam em planejamento, acessem novos mercados e cresçam com sustentabilidade.  Esta obra é de vocês e este é só o começo. Daqui para frente, o trabalho só irá aumentar! O contrato com o Banco Mundial se encerrou em setembro, mas o apoio da CATI e da Secretaria de Agricultura continua", enfatizou Brunelli.

       

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