Coordenador da CATI faz entregas no Vale do Ribeira, onde foram investidos mais de R$ 16 milhões pelo Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado

De 15 a 17 de outubro, o coordenador da CATI, João Brunelli Júnior, esteve no Vale do Ribeira para entregas de empreendimentos, veículos e reformas possibilitadas graças aos investimentos do Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado.

É no Vale que a maioria das comunidades quilombolas do Estado de São Paulo está inserida, distribuídas por diversos municípios, os quais pertencem à área de atuação da CATI Regional Registro. O Microbacias II tem levado grandes avanços para essas esses povos, permitindo que elas ampliem sua produção e otimizem seus canais de comercialização. “Na região do Vale do Ribeira foram investidos mais de R$ 16 milhões para que essas comunidades pudessem melhorar a infraestrutura, agregar valor à sua produção e aumentar a renda. Além disso, percebemos que a autoestima desses grupos foi recuperada; passaram a participar de vendas públicas e outros canais de comercialização e hoje são donos de seus negócios”, avalia Brunelli.

Associação dos Remanescentes de Quilombo do Bairro Engenho


A avaliação feita por Brunelli é confirmada pelos beneficiários. Em Eldorado, os integrantes da Associação dos Remanescentes de Quilombo do Bairro Engenho, que tem como focos a produção de olerícolas e o turismo rural, receberam do Microbacias II mais de R$ 470 mil para aquisição de equipamentos, utensílios, maquinários e realização de construções. O mais recente projeto finalizado e visitado pela equipe da CATI foi a construção do Centro Comunitário, de 300m², no valor de R$ 316 mil, que conta com banheiros amplos e acessíveis para pessoas com deficiência, cozinha, escritório, espaço para comportar mesas, cadeiras e até um palco para apresentações. O local será usado para reunir os quilombolas em encontros, festividades e reuniões e também será fonte de renda extra, visto que futuramente poderá ser alugado para eventos. “Antes, nos reuníamos nas casas dos integrantes da comunidade e nem sempre o espaço comportava a todos. Quando precisávamos de um lugar maior, tínhamos que providenciar toda a infraestrutura desde as madeiras, que cortávamos para transformar em mesas, até o aluguel de cadeiras e a construção improvisada de banheiros. Agora, com esse Centro Comunitário, nossa realidade mudou. Está sendo possível voltarmos à tradição de mantermos, com conforto e segurança, nossos encontros e festividades; além de ainda podermos ter lucro com o espaço”, avalia Vera Souza Rodrigues, presidente da Associação, que complementa: “Nos sentimos muito acolhidos pela CATI, pelo Itesp, pelo ICA que nos orientaram desde a regularização das documentações até a finalização dos projetos apoiados pelo Microbacias”.

Presente no local, Noel Castelo da Costa, do Quilombo Abobral Margem Esquerda, de Eldorado, destacou a seriedade da CATI ao fazer rapidamente os reembolsos das aquisições. “No início, quando fazíamos as cotações junto ao comércio, sentíamos preconceito dos lojistas que achavam que não teríamos condições financeiras de arcar com os custos do que estávamos orçando. Após meses do Projeto, percebemos uma inversão: o mercado passou a nos procurar, pois percebeu que pagávamos por tudo o que comprávamos. Tiro meu chapéu para a equipe administrativa, que rapidamente fez os reembolsos”.


Associação dos Remanescentes de Quilombo do Bairro Poça

     


Do Centro Comunitário, a equipe da instituição seguiu, ainda em Eldorado, para o Barracão Comunitário de 300m², que acabou de ser construído pela Associação dos Remanescentes de Quilombo do Bairro Poça, que cultiva banana e olerícolas.  A Associação contou com apoio de cerca de R$ 565 mil do Microbacias II para aquisição de trator, microtrator e equipamentos agrícolas, veículo utilitário para apoio à comercialização, aquisição de climatizadora para banana, de barracas para feira, balança digital e construção de barracão, que irá abrigar o trator, acolher as reuniões dos associados e servir de apoio para a produção e comercialização da comunidade. Com a nova estrutura e equipamentos os produtores, já conseguem comercializar seis toneladas de banana por semana junto ao mercado. “Antes do Microbacias, entregávamos a banana e não recebíamos por ela.  Vendíamos a caixa por R$ 20 e só com o atravessador ficava metade do valor”, avalia Paulo Tavares Costa, presidente da Associação Poça, que quando questionado sobre o principal benefício propiciado pelo Projeto do governo foi categórico ao afirmar: “A união. O Projeto fortaleceu a comunidade que pertencemos”.

Em Eldorado, a equipe da CATI além de estar acompanhada por integrantes da Fundação Itesp, aproveitou para visitar o escritório local deste importante parceiro, que teve valiosa participação nos resultados positivos do Microbacias na região.


Cooperativa dos Produtores Rurais e da Agricultura Familiar de Juquiá


Após visitar os dois empreendimentos, seguimos para uma concessionária de veículos para a entrega de importantes aquisições da Cooperativa dos Produtores Rurais e da Agricultura Familiar de Juquiá (Coopafarga): um caminhão para o transporte de bananas no valor de R$ 235 mil e um automóvel zero km, no valor de R$ 48 mil, a ser usado nas atividades administrativas da organização. “O caminhão será de grande valia para nós que gastávamos R$ 12 mil, em um mês, só de frete para o transporte das bananas”, conta Nivaldo Andrade de Jesus, presidente da Coopafarga. De acordo com Aline Juvêncio, diretora financeira da Cooperativa, os utilitários chegaram em um bom momento. “Este ano está sendo muito difícil para nós, por conta de remanejamentos internos, adequações junto aos nossos fornecedores, entre outras questões. Com os veículos, além de economizar, poderemos aumentar a nossa receita”, anima-se. A Coopafarga recebeu do Microbacias II   R$ 716 mil para compra de máquinas, equipamentos e veículos que objetivaram a implantação de agroindústria de doce de banana e logística de transporte.


Cooperativa Mista dos Bananicultores do Vale do Ribeira



Para encerrar o primeiro dia de visita, a última parada foi na Cooperativa Mista dos Bananicultores do Vale do Ribeira (Coopervale), em Registro, que recebeu R$ 752 mil para a implantação de centro de logística, processamento, distribuição e transporte de sua produção.


Associação Quilombola do Sítio Bruno – Bairro Peropava

Dando sequência às visitas no Vale do Ribeira, também em Registro, a visita foi na Associação Quilombola do Sítio Bruno – Bairro Peropava (Aprovale), que recebeu incentivos de R$ 587 mil para a construção de uma padaria artesanal e melhoria da infraestrutura produtiva e de comercialização. No novo local de trabalho, mulheres quilombolas produzem diversos tipos de pães, bolos, sequilhos, cuscuz de arroz, banana chips, biscoitos e outras delícias feitas à base de mandioca, biomassa de banana, entre outros produtos encontrados no Quilombo, onde residem 32 famílias. “Sempre trabalhamos na roça, mas não conseguíamos arrecadar verbas, apenas o mínimo para nosso sustento. Após o Microbacias, tudo mudou.  Estamos muito animadas com a padaria, que é uma nova oportunidade de mercado e renda. Nos capacitamos e estamos colocando em prática os conhecimentos aprendidos, com um toque de criatividade e segredo, típicos de nossas tradições. Vendemos os produtos em feiras e no nosso bairro. Até os jovens, que estavam saindo dos quilombos, começaram a voltar”, diz, animada, Maria Isidoro Alves que confirma que os consumidores estão aprovando os produtos.

Além de possibilitar um novo acesso ao mercado a esta comunidade, o Microbacias contribuiu para a qualidade de vida dos quilombolas e para a otimização do trabalho. “ Vivemos da agricultura, nossa atividade é braçal e exige muito esforço. Antes, com a enxada manual levávamos mais de três dias para trabalhar uma área de mato. Hoje, com a enxada rotativa, adquirida pelo Microbacias, gastamos apenas duas horas e meia para fazer o mesmo trabalho”, conta Isabel Cabral, da comunidade.

De acordo com Dorival Cardoso, presidente da Associação, além da padaria, foi possível adquirir utensílios, eletrodomésticos, equipamentos, barracas e veículos. “Antes éramos só produtores, agora estamos aprendendo a gerenciar o nosso negócio.  Percebemos o retorno daquilo que tiramos da terra. Se não fosse o Microbacias dificilmente estaríamos aqui”, avalia Cardoso que informa que o galpão comunitário do quilombo está quase pronto para passar a receber turistas para conhecer a história, rotina e produtos do local.

Reforma da Casa da Agricultura de Juquiá


Para fechar a visita ao Vale do Ribeira, o coordenador Brunelli visitou a Casa da Agricultura de Juquiá que foi reformada também com recursos do Microbacias. Com valor total de R$ 153 mil, a obra possibilitou reforma dos banheiros; construção de rampa de acesso ao prédio, visando à acessibilidade; pintura externa e interna; substituição dos muros por grades; reforma do telhado; substituição dos sistemas elétrico e hidráulico; entre outras ações.


Balanço final

De acordo com João Brunelli, a equipe da CATI Regional Registro tem feito um trabalho de excelentes resultados. “Parabenizo Antônio Eduardo Sodrzeieski, o “Mamute”, diretor da Regional, que junto com sua equipe, não medem esforços para realizarem, de fato, a extensão rural. Foi possível perceber, em cada visita, a gratidão das comunidades pela presença e orientações constantes em cada ação desenvolvida em parceria com nossa instituição. A gratidão dessas comunidades nos dá a certeza e a satisfação da missão cumprida. Para as organizações, deixo a mensagem de se empenharem na gestão de seus negócios; serem transparentes com associados e cooperados; compartilhem as regras, as dificuldades e conquistas com todos os integrantes; se capacitem e lembrem-se: o papel da organização não é ter lucro, mas fazer o serviço. O lucro é do produtor! Então, continuem unidos e se esforcem para gerenciar o grande negócio que vocês têm nas mãos”.


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