CATI sedia seminário da Apaer sobre extensão rural e o fortalecimento dos serviços públicos para a agricultura

Debater estratégias e formular diretrizes para o fortalecimento da extensão rural paulista. Este foi o foco da 6.ª edição do Seminário Extensão Rural e o Fortalecimento dos Serviços Públicos para a Agricultura realizado pela Associação Paulista de Assistência Técnica e Extensão Rural (Apaer). Realizado no auditório da CATI, em Campinas, nos dias 27 e 28 de setembro, o evento reuniu mais de 100 pessoas, a maioria de extensionistas da CATI e da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), que ao lado de representantes das Secretarias de Agricultura e Abastecimento, do Meio Ambiente e da Justiça e Defesa da Cidadania, bem como de Universidades e outras entidades, discutiram propostas para valorizar e fortalecer essa categoria, cujos profissionais atuam para levar conhecimento, tecnologia, renda, emprego e melhor qualidade de vida às famílias rurais. “Nosso objetivo com o seminário foi estimular a reflexão, o debate, a troca de experiências e a consolidação de estratégias para construir uma forte e firme integração e aliança entre os serviços de extensão rural, de pesquisa agropecuária, de defesa sanitária e outros trabalhos de apoio à agricultura – para que, articulados e comprometidos, possamos, mantendo as identidades específicas de cada entidade, contribuir com maior efetividade para o desenvolvimento rural com sustentabilidade”, explicou Carlos Eduardo Galletta, presidente da Apaer.

E o desejo de aprofundar a integração e as ações conjuntas para o fortalecimento do segmento, ficou comprovado na fala dos profissionais das diversas entidades presentes, que representam os servidores da extensão rural, da pesquisa, da defesa, do apoio ao associativismo, da assistência aos assentamentos rurais se aproximaram fortemente para atuar em defesa de um serviço público, gratuito e de qualidade, e em benefício da agricultura, principalmente a familiar.

Em sua exposição, João Brunelli Júnior, coordenador da CATI, falou sobre a importância da extensão rural, destacando os trabalhos da instituição que estão promovendo o desenvolvimento sustentável, com bases estabelecidas no tripé social, econômico e ambiental. “Valorizar a extensão rural é valorizar a agricultura, pois os agricultores são o centro de nossa existência como entidade pública, que atua para que eles, principalmente os familiares, tenham acesso ao conhecimento, às políticas públicas, à tecnologia, ao crédito rural e a outras ações que possam agregar valor à sua produção, garantindo renda, permanência no campo e qualidade de vida”, ressaltou o coordenador, reconhecendo as dificuldades que o segmento enfrenta, e que são muitas, mas apresentando com orgulho ações que têm sido realizadas, apesar delas, e beneficiado milhares de famílias com geração de renda, emprego, agregação de valor e inserção no mercado. Na ocasião, Brunelli destacou os resultados do Projeto Microbacias II, com ênfase na transformação social e econômica de produtores e suas famílias, os quais integram organizações rurais (associações e cooperativas) e comunidades tradicionais (quilombolas e indígenas).

Para o diretor-executivo da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo, Sérgio Maranhão, o seminário foi um espaço para aprofundar a discussão sobre o trabalho da extensão rural, principalmente para os agricultores familiares, as comunidades tradicionais e os assentados, estes dois últimos grupos, foco do trabalho da instituição. “Não é fácil estar na linha de frente no campo, atendendo os produtores, levando tecnologia, construindo acesso às políticas públicas e, no caso do Itesp, trabalhando com a regularização fundiária. No entanto é gratificante. Já atuei em muitos lugares, mas tenho um grande prazer de trabalhar no Itesp. Parabéns aos organizadores do evento, que promove uma troca de experiências e uma busca do bem comum”.

Coordenador da Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (Apta), Orlando Melo de Castro enalteceu a importância do trabalho integrado entre pesquisa e extensão rural e propôs uma reflexão diante dos desafios enfrentados. “A agricultura está em constante evolução, com tecnologias cada vez mais avançadas e novas demandas apresentadas pelos produtores e pela sociedade de modo geral. Diante disso, é preciso fazer uma reflexão sobre a estrutura e as especificidades que precisamos para continuar prestando um trabalho relevante. Não é mais viável o atendimento individual das necessidades dos produtores, por isso a estrutura da extensão deve ser pensada para o coletivo, com ênfase na organização, e a pesquisa desenvolvida ainda mais em sintonia com as demandas que vêm do campo, trazidas pelos extensionistas”.

     


Presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Estado de São Paulo, Élvio Motta, ressaltou que a extensão rural é fundamental e precisa ser tratada como uma política de Estado. “É preciso que o poder público olhe com atenção para a agricultura familiar e, para isso, é primordial que se fortaleça a extensão rural, para que os técnicos que já desenvolvem um bom trabalho, apesar da estrutura deficiente, tenham condições de continuar fortalecendo os agricultores familiares que respondem pela maior parte da produção de alimentos”.

Representando Francisco Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento, Eduardo Camargo, integrante da assessoria do Gabinete, reiterou o compromisso da pasta com o segmento, “considerado estratégico para o desenvolvimento sustentável da agricultura paulista e brasileira”.

Marco Aurélio Beraldo, diretor da CATI Regional Bauru, avaliou de forma muito positiva o Seminário. “O evento possibilitou a interação das principais instituições que prestam serviço de Ater, sendo um espaço para pontuar as dificuldades e carências, com debate de assuntos pertinentes, que tenho certeza despertou em cada participante a visão de como cada um pode contribuir com o processo de valorização da extensão rural, não apenas de forma pessoal, mas principalmente para fortalecer as instituições às quais pertencemos. Por isso, minha sugestão é que ele passe a ser realizado também de forma regionalizada, dando oportunidade para outros colegas participarem e apresentarem sua realidade. Estamos em uma situação adversa, mas, apesar disso, a CATI está sempre presente e seu trabalho tem um valor muito grande para os produtores”.

Recém-ingressa na CATI, Giovana T. Vidal, engenheira agrônoma da Casa da Agricultura de Avaí, ligada à CATI Regional Bauru, destacou a possibilidade de trocas de experiências como o fator positivo. “Gostei muito do seminário, pois mostrou a importância da união dos serviços públicos voltados para o produtor rural. Deu para perceber que cada elo faz sua parte é possível realizar trabalhos relevantes para a sociedade como um todo, apesar das dificuldades. Eu, como funcionária nova, espero dar continuidade e contribuir com esse trabalho”.

“O nosso conhecimento é o bem mais precioso que podemos oferecer aos produtores, por isso é preciso que haja valorização do extensionista com capacitação continuada, salários dignos e estrutura de trabalho adequada, para que o trabalho de fortalecimento da agricultura tenha continuação e seja até ampliado”, disse Alfredo José de Melo, médico veterinário da Fundação Itesp, em Presidente Venceslau.

     


Desafios e estratégias apontados para o fortalecimento da extensão rural

Entre os principais desafios elencados durante o debate, Carlos Galletta aponta a progressiva diminuição dos recursos orçamentários; a não reposição por concurso das vagas do quadro de pessoal técnico e administrativo; venda/transferência/cessão de próprios da SAA; rebaixamento salarial, desnivelamento de remuneração entre atribuições profissionais semelhantes: CATI/Defesa/Codeagro/Itesp X Meio Ambiente; não implementação de carreira (caso Fundação Itesp); ameaça de reestruturação da SAA sem debate, com reformas que podem esvaziar os órgãos de suas funções. “Além de lutarmos juntos, propomos uma maior integração entre todos os órgãos de apoio à agricultura, aos agricultores e às suas famílias. Nossa proposta é formalizar uma aliança entre os dirigentes de órgãos governamentais, as organizações dos agricultores e da sociedade civil, bem como de entidades de defesa dos servidores, para superar as dificuldades”.

O presidente da Apaer aponta como pontos relevantes dos serviços de extensão rural:

  • tecnologias geradas pela pesquisa dependem da extensão rural para chegar ao pequeno e médio agricultor (agricultura familiar);
  • a agricultura familiar depende das orientações técnicas da extensão rural (CATI e Fundação Itesp), para seu progresso e para o desenvolvimento de seus sistemas produtivos;
  • importância social, econômica, ambiental, cultural e política da agricultura familiar;
  • agricultura familiar é responsável pelo abastecimento de cerca de 70% dos alimentos básicos;
  • 290 mil unidades de produção agrícola familiares (84,55% do total de unidades de produção agrícola do Estado (Fonte: LUPA);
  • população de cerca 1,2 milhão de pessoas;
  • importância da agricultura nos municípios paulistas – cerca de 450 dos 645 municípios paulistas dependem economicamente da agricultura.

 “No mês de junho deste ano, estivemos como entidade representativa da extensão rural, na Assembleia Legislativa, batalhando pelo revigoramento da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e da Fundação Itesp, órgão ligado à Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania. Fomos ouvidos por parlamentares de distintos partidos. Tomamos essa atitude por ter consciência de nossa responsabilidade e importância social. As organizações dos agricultores têm estado ao nosso lado, apoiando o nosso trabalho, para que os diversos serviços de apoio à agricultura tenham um quadro maior de técnicos, pesquisadores, funcionários administrativos, mais presença no campo, melhores instalações, mais recursos, maior e valorização salarial dos profissionais”.

     


Programação

O tema central foi debatido nos painéis:

  • “Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária – desafios para a integração”. Debatedores: Gilberto Pellinson, da CATI Regional Jales; Francisco Miguel Corrales, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); João Barreto Nobre, da Fundação Itesp; e Humberto Sampaio de Araújo, da Apta Polo Regional Andradina.
  • “Extensão Rural e Defesa Agropecuária – cooperação em um enfoque educativo”. Debatedores: Marianne Oliveira, da CATI; Fábio José Bengozi, do Escritório de Defesa Agropecuária de Mogi das Cruzes; e Juliana do Amaral Vaz, da Secretaria Especial da Agricultura Familiar, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SFA-SP / MAPA).

Além desses painéis, o evento contou com uma palestra especial sobre “A questão da segurança nas comunidades rurais”, tema transversal no qual a extensão rural tem atuado também. Na ocasião, o engenheiro agrônomo Ricardo Chiarelli, da CATI Regional, e Carlos Eduardo Rodrigues de Paula, da Guarda Civil Municipal, ambos de Botucatu, fizeram a apresentação da experiência de extensão rural em segurança comunitária, que foi implementado com sucesso no município e tem contribuído para a diminuição de ocorrências criminais na área rural.

 Prêmio Extensionista Rural do Ano – 2018: ao momento de emoção para quem dedica a vida à missão extensionista

“Olhar o produtor rural como ser humano integral, não atendendo apenas às suas necessidades técnicas para obter uma boa produção e produtividade, mas para que as famílias possam ter qualidade de vida, permanecendo no campo com renda e dignidade”. Esse pode ser um resumo da fala dos extensionistas homenageados nesta, que foi a 2.ª edição do Prêmio Extensionista Rural do Ano, criado pela Apaer com a finalidade de proporcionar maior visibilidade, perante a sociedade e lideranças políticas, o trabalho de homens e mulheres que se destacaram na atividade ao longo de suas carreiras, em quatro categorias: atuação em comunidades da agricultura familiar; assentamentos da Reforma Agrária; comunidades tradicionais; desenvolvimento municipal.

Segundo os organizadores, a escolha dos homenageados se deu a partir de um processo amplo de indicação de candidatos, apoiados por grupos de extensionistas rurais. “Na sequência, o conselho diretor da Apaer elegeu os profissionais a serem homenageados, a partir da análise comparativa de seus currículos, referências de colegas, relatórios e destaques na mídia”, informa o presidente da Apaer.

Muito emocionado, o engenheiro agrônomo Mauro Macchi, da CATI Regional Fernandópolis, que há 42 anos trabalha diretamente com os produtores rurais, falou sobre o sentimento de ser homenageado na categoria de trabalho com comunidades da agricultura familiar. “Estou muito feliz. Venho de uma família na qual fui o primeiro a cursar uma faculdade. Desde a minha entrada na CATI, há mais de 40 anos, sempre trabalhei com amor e dedicação para poder contribuir de forma a melhorar a vida dos agricultores, incentivando a adoção de tecnologia, a organização rural, a conservação do solo e a comercialização direta dos produtos, sem esquecer de atuar para ajudar a suprir outras necessidades das famílias. Pude demonstrar todo o meu amor pela extensão rural, quando no começo de carreira recusei um salário maior para continuar trabalhando na Casa da Agricultura; e não me arrependo, pois se estou trabalhando às vésperas de completar 70 anos (e pretendo ainda trabalhar durante mais alguns), é porque faço o que amo. Sou muito grato à CATI e à Apaer, por me proporcionarem essa homenagem”.

Outro homenageado foi Paulo Bitencourt Guanaes, engenheiro agrônomo da Fundação Itesp, membro da Diretoria Regional de Presidente Prudente, que se destacou pela sua atuação em assentamentos da Reforma Agrária, na região do Pontal do Paranapanema. “Apesar de todas as dificuldades, é uma satisfação muito grande poder trabalhar com os assentados, ajudando-os a se firmarem como produtores rurais, obtendo renda com sua produção. E muito bom poder ver as famílias se desenvolvendo em todos os aspectos. Estou muito grato por poder contribuir para o bem-estar dessas pessoas e por esse reconhecimento público”.

Na categoria atuação em comunidades tradicionais, o homenageado foi o técnico agropecuário Macionílio Marques de Oliveira, que tem 33 anos de trabalho extensionista na Casa da Agricultura de Juquiá, ligada à CATI Regional Registro, o qual ficou muito emocionado e agradeceu a indicação de colegas e o reconhecimento do trabalho desenvolvido junto às comunidades tradicionais, no âmbito do Projeto Microbacias II, apoiando a comunidade quilombola do Morro Seco na aquisição de máquinas e implementos, bem como na promoção de um resgate cultural, que, além de dar oportunidade para o retorno de jovens e alavancar a produção comunitária, elevou a autoestima da comunidade.

Na categoria de desenvolvimento municipal o homenageado foi Luiz Roberto Rabello, engenheiro agrônomo aposentado da CATI Regional Marília, que fez questão de dividir a homenagem na categoria de desenvolvimento municipal com os envolvidos no trabalho desenvolvido nos áreas de infraestrutura rural, recursos naturais e conservação do solo e da água, nas quais ele coordenou projetos, realizou capacitações e acompanhou dezenas de obras de recuperação e manutenção de estradas rurais, beneficiando a agricultura dos municípios da região de Marília e de várias regiões do Estado de São Paulo, no âmbito do Projeto Microbacias II.

 Premiação Projetos de Extensão Rural para a agricultura familiar

Em uma exposição de painéis, os participantes puderam conhecer 38 projetos de extensão rural que estão sendo desenvolvidos em todo do Estado, por extensionistas da CATI e do Itesp em parcerias com representantes da pesquisa, de universidades, de ONGs e de prefeituras.

Após uma avaliação de uma banca examinadora, liderada pela engenheira agrônoma Maria Cláudia Garcia Souza Blanco, da Divisão de Extensão Rural (Dextru/CATI), que fez questão de enaltecer a qualidade, abrangência e relevância de todos os projetos apresentados, foram escolhidos três que representam, segundo a extensionista, os objetivos do 6.º Seminário, sendo:

  • Rastreabilidade da produção de hortaliças orgânicas na região de Avaré – trabalho realizado por extensionistas da CATI Regional Avaré e pesquisadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo; do Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (CNPq); e do Núcleo de Estudos em Agroecologia.
  • Educação sanitária aplicada no município de Arealva para o uso racional dos agrotóxicos – trabalho de extensionistas da Casa da Agricultura de Arealva (CATI Regional Bauru) e técnicos do Escritório de Defesa Agropecuária de Bauru e do Sindicato Rural de Arealva.
  • Intercâmbios entre produtores como ferramenta de aprendizagem no meio rural – trabalho realizado por extensionistas da CATI Regional Registro, da Casa da Agricultura de Ubatuba (CATI Regional Pindamonhangaba) e das cooperativas Cooperfloresta e Cooperqvale.

      


Apaer tem nova diretoria

Durante o evento, os participantes elegeram a nova diretoria da Apaer, para o biênio 2019-2020. Eleito presidente, Antonio Marchiori, extensionista da Casa da Agricultura de Ubatuba, ligada à CATI Regional Pindamonhangaba, falou sobre as diretrizes da entidade para os próximos anos. “Devemos ter um olhar para o trabalho que vem sendo sedimentado pela Apaer desde a sua criação, mas estar atentos às novas demandas do segmento e do meio rural para construir um plano de ações que resultem no fortalecimento da extensão rural como instrumento de transformação e fortalecimento da agricultura com base social, econômica e ambiental sólidas, nas bases estabelecidas pelas diretrizes da Ater”.

A nova composição ficou assim determinada:

Antonio Marchiori – presidente (CATI)

Abelardo Gonçalves Pinto – vice-presidente (CATI – aposentado)

Jefferson Rodrigo Cantelli – 1.º secretário (Itesp)

Sonia Maria Pessoa Pereira Bergamasco – 2.ª secretária (Universidade Estadual de Campinas – Unicamp)

Geraldo Magela Ferreira – 1.º tesoureiro (Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo – Itesp)

Escolástica Ramos de Freitas – 2.ª tesoureira (CATI)

 

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