Aprendendo a viver entre os tupi-guaranis


Um dia os portugueses chegaram e a terra que era habitada por guaranis, tupis, kaigangues, terenas, krenak e outras etnias foi tomada por novos costumes, diferentes hábitos, novas doenças. A partir daí, transcorridos mais de 500 anos, período em que a maioria foi dizimada ou sucumbiu, os indígenas brasileiros tentam restabelecer, preservar e manter sua cultura por meio do artesanato, das danças, dos cantos, da agricultura, da alimentação e do idioma repassado às novas gerações.

Segundo Cristiano Hutter, coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), somente nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro existem 46 territórios indígenas, os quais compreendem 70 aldeias, 63 delas estão no Estado paulista, onde a relação entre a CATI e as associações e cooperativas indígenas foram intensificadas após o lançamento, em 2011, do Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável (PDRS) – Microbacias II – Acesso ao Mercado, que previu projetos de etnodesenvolvimento, colocando os extensionistas da CATI em maior contato com a população indígena existente, tanto no litoral quanto no interior do Estado. “Foi um aprendizado, de lado a lado, um ‘namoro’ com altos e baixos, idas e vindas, até que começassem a compreender as diferenças e peculiaridades de cada etnia indígena mas, principalmente, as diferenças relacionadas ao público mais constante da CATI, os produtores rurais”.

A burocracia a ser enfrentada, a exigência para que estivessem organizados em associações e cooperativas devidamente cadastradas, em consonância com as exigências do contrato com o Banco Mundial, financiador junto com o governo estadual do Microbacias II, levou tempo, desgastou as relações, incitou à desconfiança e, por fim, acabou vencendo a expectativa de aproveitamento da verba de R$ 200 mil para cada projeto de etnodesenvolvimento aprovado visando à melhoria de vida dessa importante parcela da população genuinamente brasileira. Em contrapartida, teriam que arcar com 1%, quantia quase simbólica, porém representativa para essas populações.

Com essa oportunidade em mãos, a CATI Regional São Paulo tornou-se responsável por sete projetos, sendo seisno litoral sul de São Paulo, mais especificamente nos municípios de Mongaguá (3), Peruíbe (2) e Itanhaém (1), e um em Parelheiros, na divisa entre a capital paulista e o município de São Bernardo do Campo. No litoral norte e no interior do Estado, outras Regionais CATI também se mobilizaram. O maior desafio é que cada aldeia, cada etnia possui características, necessidades e anseios próprios. Levou tempo, os projetos foram sendo acertados aos poucos, em um ritmo diferente das associações e cooperativas de produtores rurais acostumadas aos meandros da administração pública. Tudo era arduamente discutido entre as lideranças indígenas – os anciãos e os novos caciques e presidentes de associações –, os extensionistas da CATI na linha de frente e, muitas vezes, os funcionários da Funai na intermediação.

Em função da localização e da vocação natural, a maioria optou por incrementar o turismo como forma de divulgar e perpetuar a cultura indígena, mas outros também investiram em melhorar a agricultura e com essa atividade o fornecimento de alimentos para a própria aldeia e o excedente para venda em feiras livres e/ou políticas públicas de aquisição de alimentos, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

A Associação Guarani Nhe’E Porã, nascida às margens da represa Billings, adquiriu um barco de alumínio com motor e os equipamentos de informática, móveis, TV e implementos agrícolas estão em fase de aquisição. O barco já leva turistas para passeios pela represa; enquanto se divertem, eles também aprendem um pouco sobre a vida e os costumes da nação Guarani. A outra função do barco é o transporte de indígenas que vivem na outra margem da represa. Quem comanda o vai-e-vem dos barcos na Aldeia Krukutu, na Estrada do Curucutu, é Tranquilino Karaí Martines. “Atualmente, temos três barcos e treinamos mais pilotos; é o nosso meio de transporte para trazer as crianças para a escola, bem como pessoas doentes, enfim, é de grande auxílio; antes tínhamos que remar em dias calmos ou de ventanias”, relembra Tranquilino, que ainda espera ver um projeto de piscicultura na represa. “Ia melhorar muito a nossa renda”, afirma. A Aldeia Krukutu, nome que veio do canto das inúmeras corujas existentes por ali, é comandada por um cacique jovem, Fábio da Costa, que dá plantão na Unidade Básica de Saúde (UBS) instalada na aldeia que também é aparelhada com um Centro de Educação e Cultura Indígena (Ceci) e uma escola que vai da 1.a até a 9.a série do ensino básico e emprega funcionários indígenas e não indígenas. Uma delas é Kerexu Mirim, que com 22 anos é a presidente da Associação. “Boa parte da renda vem do turismo com os passeios, da venda de artesanato, camisetas e outros artigos”, conta Kerexu, informando que sete aldeias vivem nos 16 mil hectares homologados. Esperta com seus 22 anos, Kerexu aprendeu com o pai Olívio, que foi o primeiro presidente da Associação formada em 2001. “Nosso foco é incentivar o turismo e oferecer cada vez mais produtos para esse público”, afirma com segurança.

Descendo para o litoral, nossa equipe de reportagem encontrou muita diversidade. Em Mongaguá, a Associação Indígena Guarani Tenonderã (aldeia Itaoca Guarani) e Associação Indígena Tupi Tape Porá (aldeia Itaoca Tupi) optaram pela construção de centros de recepção ao turista. Distantes um do outro cerca de 300m, cada um tem finalidades diferentes, embora o padrão de construção seja bem parecido. O dos tupis fica ao lado da escola que atende a ambas as aldeias; com o Projeto Microbacias II receberam mudas de banana e outras frutíferas e também de palmito pupunha. A presidente da Associação, Ivoneide da Silva, tem planos para uma padaria artesanal. “Como ficamos mais próximos da estrada, as pessoas chegam facilmente até aqui, queremos comercializar nossos produtos também nesse local (eles já levam produtos da horta para venda na feira promovida pelo grupo de Economia Solidária) e convidá-los a participar de nossas festas. Fomos visitar comunidades quilombolas em Peropaba, na região do Vale do Ribeira, e voltamos com muitas ideias que podem gerar renda para a comunidade”, afirma Ivoneide. A CATI irá proporcionar os cursos de panificação artesanal e outros. Uma subida de uns 300 metros separa um Centro Cultural de outro. Os objetivos de venda de artesanato e produtos locais e divulgação da cultura são os mesmos, mas têm outra finalidade também, que é o atendimento de saúde. Nela foi necessária a construção de um muro de arrimo e está prevista a compra de equipamentos de informática, eletrônicos e eletrodomésticos.

Ainda em Mongaguá, a visita à aldeia Aguapeú (Associação Indígena Guarani Tekoa Aguapeú-Aiguata) é parte do que é oferecido aos turistas: a única forma de chegar é de barco; da margem do riacho até a escola, primeiro ponto de parada, é uma íngreme subida de uns 100 metros. Esse é o caminho que eles fazem todos os dias. Por ali chegaram as quatro mil mudas de bananeiras, os insumos e equipamentos, assim como os materiais para construção de uma câmara de climatização para bananas. A dificuldade do acesso é recompensada pela vista deslumbrante que se tem lá de cima. Foi tão inesquecível para os nômades guaranis, que eles voltaram para lá depois de muito tempo fora e, com a sabedoria do posseiro que havia tomado as terras, voltaram a ocupar o território. Quem conta esta história é Roberto Martim da Silva, tesoureiro da Associação. O cacique é seu irmão Sergio, de 34 anos. A comunidade é muito unida e, com isso, várias conquistas foram feitas. A CATI tem ajudado na implantação de um sistema agroflorestal onde foram plantadas frutíferas diversas, mandioca, pupunha e o colorido milho guarani. “Apesar de não ser usada tanta tecnologia, eles conseguem com manejo uma produção que alimenta as famílias e ainda gera um excedente para fornecer ao PNAE e à feira local Para isso, adquiriram pelo Projeto Microbacias II, quatro tendas e também um veículo utilitário e uma carreta, além da reforma de um galpão e a construção de uma câmara climatizadora para as bananas”, explica o diretor da CATI Regional São Paulo, cientista social Flávio Rizzi. Anteriormente, atuando no Vale do Ribeira, Rizzi, que assumiu a diretoria técnica há pouco mais de um ano, soube se adaptar à nova realidade que apresenta problemas tão parecidos com outras comunidades tradicionais. “É preciso, antes de tudo, saber ouvir e entender; não adiantam propostas prontas, tudo é fruto de muito debate entre eles e deles com as instituições, isso resultou em várias demandas e alterações nos  projetos porque querem o respeito às suas tradições”, explica Flávio. Também focados no turismo, a Associação conta com quatro barcos que fazem os passeios turísticos pelo rio Aguapeú e, além da locomoção  das pessoas, transportam a produção das 20 famílias da aldeia, que é totalmente sustentável. Comandados pelo cacique Sergio, eles têm grande respeito ao meio ambiente e ao território de rara beleza que ocupam.

Todas as aldeias visitadas contam com lideranças jovens, tanto na cacicagem quanto na presidência das Associações; têm havido renovação e também muitas divisões de aldeias em uma mesma terra indígena. As crianças indígenas, falando em tupi-guarani e algumas também em português, correm alegres, ruidosas e curiosas por todas as aldeias; é visível o aumento das populações indígenas que já passaram por momentos de quase extinção. O objetivo, entre outros, como a definição de prioridades diferentes em cada uma delas, é a ocupação da terra. Quem explica um pouco dessa lógica indígena, por ter vivenciado muitas situações de disputas internas, é o extensionista Luiz Gustavo Villela, da Casa da Agricultura de Peruíbe. Da aldeia-mãe, da Terra Indígena Piaçaguera, surgiram nove aldeias e duas Associações: Associação Terra Indígena Piaçaguera (Atip) e Associação Indígena Taniguá (Aigt). Dentre as lideranças, duas mulheres fortes e de opiniões diferentes: Lílian Gomes Fernandes, em Piaçaguera, e Miriam Dina dos Santos Oliveira, na aldeia Tabaçú.

Lilian sonha com a autonomia das aldeias em relação à renda. “Esperamos tirar todo o sustento das nossas atividades, não temos um espírito consumista, mas queremos nos manter com dignidade”, diz a líder. Muitos ainda precisam trabalhar na cidade em empregos precários, como construção civil ou estradas. Por isso estão criando mais oportunidades; com o Projeto Microbacias II pretendem construir um centro de recepção ao turista para escoar artesanato e produtos; plantam o palmito juçara com mudas produzidas na aldeia, também têm orquidários; e o Sistema Agro-Florestal (SAF) e o círculo de bananeiras para filtragem da água têm sido implantados; foram adquiridas mudas de frutíferas variadas; têm pequena horta comunitária. “Felizmente, temos contado com a assistência técnica da CATI para essas ações”, comenta Lílian, que, além de ser professora, complementa a renda vendendo artesanato na Feira da Liberdade, na capital paulista.

Da Terra Indígena Piaçaguera, Luiz Gustavo também viu nascer, sob a liderança da pedagoga formada pela Universidade de São Paulo (USP), Miriam Dina dos Santos Oliveira, a aldeia Tabaçú Reko Ypy, que congrega nove famílias. Itamirim, como é conhecida por todos, mudou-se com a família para um terreno alagadiço, as primeiras chuvas os pegaram morando em tendas de plástico, depois casinhas de pau a pique (ainda resta uma para visitação). Em janeiro deste ano (2018), eles conseguiram, por meio de um projeto federal (Projeto Teto), a construção das casas de madeira com teto de sapê. O sistema é de palafitas por causa da umidade; em dois dias, um mutirão de 250 pessoas transformou a aldeia em um alegre colorido de casinhas verde-claro construídas ao redor da ocaruçu, uma grande oca aquecida pelo “fogo sagrado”, onde recebem os visitantes. A cerimônia “Tataruçu Katu” (reacendimento do fogo sagrado da união) há dois anos passou a fazer parte do calendário de eventos oficial de Peruíbe (final de semana da lua nova de agosto). Os turistas são convidados, nessa época e durante todo o ano, não só a visitar, mas a vivenciar o dia a dia na aldeia e a participar de várias ações, das pinturas e aos gritos de guerra, às danças e aos cantos de festa.

Itamirim, que já foi casada com um juruá e passou um tempo fora, voltou para a aldeia tupi com a missão de viver da forma mais tradicional possível. “As cestas básicas que nos eram oferecidas trouxeram obesidade e doenças, agora queremos retomar nossa alimentação, servir aos turistas comidas típicas, chamá-los a participar de nossas festas, danças, rituais de pintura, enfim, nossa proposta para o Microbacias II é de uma grande oca de madeira e sapê e seis ocas menores para as festas e jogos realizados na aldeia. A terra é muito ruim, resultado de anos de mineração; tentamos a agricultura, mas é muito complicada e não é a nossa prioridade, então focamos no plantio de urucum e jenipapo, ambos usados para as pinturas vermelho e preta usadas nas cerimônias e no dia a dia da aldeia”, diz Itamirim, ao lado do filho Kelvin, de 18 anos, presidente da Associação. A jovem índia tupi tem mais quatro meninas e é casada com o cacique da pequena aldeia de 45 habitantes. No curso de Turismo de Base Comunitária, oferecido em parceira entre a CATI e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), Itamirim e vários integrantes de outras aldeias aprenderam que o compartilhamento pode ajudar a todos e que a comunicação é a alma e a arma do negócio; e têm usado as redes sociais para divulgar as culturas tupi e guarani. Desse marketing, Itamirim, Sergio, Roberto, Lílian, Kerexu, Ivoneide e outros pretendem tirar o sustento das famílias, que só tendem a crescer.

Como os costumes são diferentes, as opções também o são. Os guaranis sempre foram um povo nômade, mas agora procuram o estabelecimento e o sustento das famílias em terras homologadas. Foi em busca de rios de águas limpas, peixes, mata e caça abundante que os guaranis chegaram ao pé da Serra do Mar, em Itanhaém, e fundaram, com 18 famílias, a aldeia Rio Branco e, posteriormente, a  Associação Indígena Mbya Guarani Piray Porã, que já adquiriu, via Projeto MicrobaciasII três minitratores para ajudar nos plantios, que vão dos grãos às hortaliças, olerícolas, frutíferas e flores ornamentais. Para chegar até lá, é preciso percorrer cerca de 25km de sinuosa estrada de terra. Atualmente, pagam frete para levar a mercadoria; com a aquisição de um veículo pretendem baratear o custo e reverter em mais renda para todos. Os sistemas incentivados pela Casa da Agricultura de Itanhaém e pela Prefeitura local são o consórcio de culturas e/ ou o agroflorestal, dependendo de cada caso, já que as roças são individualizadas por famílias e as casas de alvenaria mais afastadas umas das outras.

O presidente da Associação é Ribeiro da Silva, o Ribeirinho, que como qualquer agricultor tem orgulho das batatas-doces de cor alaranjada, do colorido milho guarani, tradicional na cultura indígena, e da coleção de mais de 30 espécies de diferentes orquídeas que tem em sua mata de palmito juçara. O seu vizinho mais próximo é Kwaraí, ou Marcos da Silva Laurindo, um índio que veio a pé do Paraguai e ajudou a fundar a aldeia Rio Branco. “Eu gosto de plantar, descobri que quero ser agricultor e também fiz o curso de agente ambiental. Quero fazer certo, direito; participei de excursões em Barra do Turvo (Vale do Ribeira) organizadas pela CATI para aprender”, conta Kwaraí (sol em tupi-guarani), que também fez o curso para ser o agente ambiental da aldeia. Pelo jeito aprendeu, sua roça de banana e pupunha, consorciada com plantio de alface e couve, é bonita de se ver e também motivo de orgulho para esses indígenas que escolheram a mata para viver, preservar e dela tirar o sustento das famílias. Eram nômades; já não são mais, fincaram raízes e querem uma vida melhor.

Ângela Sartori, da CATI Regional São Paulo, tem acompanhado todas as compras, auxiliado nos orçamentos e na papelada burocrática exigida, tão nova quanto desconhecida para a maioria das comunidades indígenas. “Aprendi muito em todo esse contato com os indígenas, enriqueceu minha vida, minha cultura, me tornei de fato uma extensionista”, afirma Ângela, que tem feito esse trabalho em todas as aldeias, onde passou a ser recebida com carinho e muitos pedidos de auxílio nas questões que ainda não dominam, mas que pouco a pouco, entre idas e vindas a cartórios e em meio a toda papelada necessária, vão aprendendo como funciona esse complicado mundo dos juruás.

O extensionista Newton Rodrigues foi um dos pioneiros e é grande entusiasta da relação com as comunidades tradicionais. “Requer tempo e muito trabalho apoiar pessoas que estão em estado de extrema pobreza ou que sofrem discriminação, a fazer a trajetória para serem gestores dos seus projetos e terem uma vida com perspectiva. Agradeço a todos que trabalharam no Microbacias II, para viabilizá-lo, pois pelo Projeto tive a oportunidade de me realizar profissionalmente. Lá na frente citarei o poeta Neruda: ‘Confesso que vivi!’”.

A esperança de um lado e de outro é que essas relações se fortaleçam, independente de projetos. Hoje, a CATI e as comunidades indígenas estabeleceram um vínculo de confiança, proporcionado pelo trabalho desses e de outros extensionistas, como Maurício Rubio Pinto e Antonio Marchiori, ambos atuando no litoral norte, em aldeias de São Sebastião e Ubatuba, respectivamente, ou ainda João Pacheco de Almeida Prado, na região de Bauru, onde a extensão rural também vem fazendo um respeitado trabalho junto a várias aldeias do interior paulista. São nesses espaços conquistados que a CATI tem dado continuidade e suporte às comunidades tradicionais; é um caminho sem volta para todos que se envolveram nas questões indígenas, um caminho que se pretende seja longo e duradouro.

 

Divulgação – cultura indígena

Atividades e modo de vida na aldeia Krukutu –

www.tenondepora.org.br

Atividades nas aldeias associadas à Associação Terra

Indígena Piaçaguera (Atip) –

www.vivencianaaldeia.org.br

Mongaguá – aldeia Aguapeú (13) 99695-1883 –

Cacique Sergio – passeios de barco.

Peruíbe: aldeia Tabaçú – contatos: (13) 99658-4168

Itamirim e (13) 99130-7242 – Kelvin | aldeia Piaçaguera

(13) 99115-5168 – Lílian – liliantupy@yahoo.com

 


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