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MICRONUTRIENTES PARA A BANANEIRA

 

Eng° Agr° Antônio Rangel – Escritório Regional de Avaré

edr-avare@cati.sp.gov.br

Eng° Agr° Luiz Antonio Penteado – Escritório Regional de Registro

edr.registro@cati.sp.gov.br

Eng° Agr° Ricardo Moncorvo Tonet – Escritório Regional de Bragança Paulista

ricardotonet@cati.sp.gov.br

 

 

1. Introdução

 

A utilização de uma adubação adequada para a cultura da banana, afeta significativamente o seu desenvolvimento e a sua produtividade, inclusive, também, no que se refere a sua qualidade.

 

Desta forma, sendo a bananeira uma cultura exigente em nutrientes, faz-se necessário fornecê-los à planta, em quantidades suficientes, para que se consiga o retorno econômico.

 

Devemos salientar, no entanto, que o adequado suprimento de nutrientes através das adubações, por si só, não é a garantia de colheitas abundantes. Este conceito, baseia-se no fato de que existe uma grande quantidade de fatores que regulam o crescimento e o desenvolvimento das plantas. A magnitude e a combinação destes fatores é que determinam o aumento dos rendimentos.

 

Ressaltamos ainda, que as necessidades nutricionais das bananeiras variam com os locais de plantio e com as cultivares e, são influenciadas pelos problemas fitossanitários. Assim, torna-se necessário analisar os fatores que estão correlacionados, para a adoção de um programa de nutrição equilibrado para a bananeira, levando-se em consideração inclusive, a reposição dos restos de cultura (pseudocaules, folhas) como um fator importante na adequação da nutrição da bananeira.

 

Neste sentido, apesar de serem requeridos em menores quantidades do que os macronutrientes, os micronutrientes são de grande importância para a cultura, dada a participação dos mesmos em diferentes e essenciais funções na planta.

 

 

2. Absorção e exportação de micronutrientes

 

De uma maneira geral, na absorção de nutrientes pela bananeira, os picos ocorrem, do quarto mês até o florescimento.

 

A necessidade de micronutrientes para a bananeira se relacionam com zinco (Zn), boro (B), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo), cloro (Cl) e sódio (Na).

 

Na Tabela 1, podemos observar as quantidades de micronutrientes e de matéria seca na bananeira, distribuídos nas suas diversas partes. Já na Tabela 2, apresentamos a distribuição percentual entre as partes da bananeira, da quantidade total de micronutrientes extraídos para a formação da parte aérea na época do corte do cacho:

 

Podemos observar desta forma, que na colheita do cacho, leva-se consigo proporções elevadas de cobre, boro e zinco.

 

De acordo com Hiroce et al (1977) em Azeredo et al (1986), o cloro é um micronutriente cuja deficiência não é observada em condições de campo. O ferro e o manganês não são geralmente encontrados em níveis deficientes, no entanto boro e o zinco podem limitar a produção quando em níveis baixos, sendo estas as deficiências mais comuns em bananais.
 

Tabela 1 – Quantidade de micronutrientes e de matéria seca na bananeira e distribuição nas suas diversas partes *.

Material Vegetal

Peso seco

Cl

B

Cu

Fe

Mn

Mo

Zn

Al**

Na**

 

(kg/ha)

(kg/ha)

g/ha

Pseudocaule

 

florescimento

7630

148

129

30

1304

2548

0,381

113

984

1258

corte

6900

180

124

29

1311

2263

0,621

146

1283

1290

Folha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

florescimento

5137

41

97

33

1351

3169

0,719

73

1191

1135

corte

4017

31

72

21

1012

3715

0,321

66

915

1285

Engaço

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

florescimento

1092

9

29

12

155

306

0,141

37

91

173

corte

580

7

12

1

95

131

0,168

7

71

114

Botão Floral

167

1

6

1

25

55

0,025

6

18

27

Fruto

13925

80

153

68

612

682

0,139

132

529

1489

Cacho

frutos + engaço

14505

87

165

69

707

813

0,307

139

620

1662

Total

 

florescimento

13859

198

255

75

2810

6023

1,241

223

2266

2566

corte

25589

299

367

120

3055

6846

1,274

357

2816

4205

Fonte: GALLO et al (1972) em AZEREDO et al (1986) Fundação Cargill.

* considerando espaçamento de 2x2m e produção média anual de um cacho (fruto e engaço) por planta, com peso de 30,79kg no corte.

** elementos tóxicos

 

 


 

Tabela 2 – Distribuição percentual entre as partes da bananeira, da quantidade total de micronutrientes extraída para a formação da parte aérea à época do corte do cacho.

Elementos

Partes da Planta

 

Pseudo caule

Folha

Cacho**

Botão floral

B

33,8

19,6

45,0

1,6

Cl

60,2

10,4

29,1

0,3

Cu

24,2

17,5

57,5

0,8

Fe

43,0

33,1

23,1

0,8

Mn

33,0

54,3

11,9

0,8

Mo

48,7

25,2

24,1

2,0

Zn

40,9

18,5

38,9

1,7

Fonte: GALLO et al (1972) em AZEREDO et al (1986) Fundação Cargill

** Fruto e engaço.

 

 

3. - Importância dos micronutrientes na planta.

 

3.1 Boro

 

Suas funções estão ligadas principalmente ao desenvolvimento da gema apical de crescimento e estruturas em crescimento. Atua desta forma na formação e na velocidade de crescimento na emissão de folhas e do cacho e, determina o número de pencas por cacho. A falta de boro, afeta pois os orgãos de crescimento, influindo ainda na absorção de P,Cl e K.

 

O boro participa no transporte de açucares  e é essencial na formação das paredes celulares . Ele é absorvido pela planta como H3BO3 e B(OH)4 e não se transloca facilmente de um órgão à outro.

 

Na deficiência de boro, os primeiros sinais se expressam como listras amarelo-brancas que se espalham pela superfície da folha e paralelamente à nervura principal das folhas novas, seguidas de necroses. As folhas podem ficar deformadas e apresentar redução do limbo, com ondulações nos bordos, às vezes permancendo somente a nervura central.

 

A falta de boro no solo provoca também um pobre desenvolvimento do sistema radicular, com pouca presença de radicelas e pêlos absorventes, podendo inclusive ocorrer um necrosamento do sistema radicular (NORTON, 1965).

 

Em casos severos, surge uma goma no pseudocaule, que atinge a flor e pode até mesmo impedir sua emergência, ficando a inflorescência bloqueada dentro do pseudocaule.

 

A deficiência severa de boro, pode ser confundida com uma deficiência de cálcio; a diferença é que no caso do cálcio ocorre o engrossamento das nervuras secundárias da folha. Ainda, os sintomas de deficiência de boro podem ser confundidos com freqüência, com os sintomas de enfermidades causadas por vírus, devendo-se pois, realizar-se uma avaliação precisa dos sintomas, apoiadas por analise foliar para a comprovaçã de uma possível deficiência de boro.

 

No cultivo da banana mação a deficiência de boro pode ser uma das causas do “empedramento” dos frutos, associada a outros fatores climáticos (chilling, stress hídrico, etc ) e de nutrição desequilibrada ( deficiência de cálcio, etc ).

 

3.2  - Zinco

 

O zinco tem funções junto a certas enzimas que atuam na formação da clorofila e da célula.; interfere na síntese de auxinas, que são substâncias reguladoras do crescimento e participam ainda, do metabolismo das plantas como ativador de diversas enzimas (DELVIN, 1982). O zinco é essencial à síntese de triptofano, precursor do ácido indolacético, que induz a produção de tilose que completa a resistência da planta ao "Mal-do-Panamá".

 

As plantas com deficiência de zinco tornam-se anãs, com o pseudocaule mais fino, com as folhas menores e lanceoladas (com tendência de "envassouramento" da roseta foliar), com listras amarelo-brancas entre as nervuras secundárias e pigmentação avermelhada (antocionina) na página inferior, os sintomas aparecem nas folhas novas, já que este é um elemento pouco móvel na planta sendo, pois, pouco translocado. Os frutos, tornam-se pequenos, podendo apresentar-se enrolados, com as pontas verde-claras e o ápice em formato de mamilo. O cacho se mantêm na horizontal, possivelmente devido ao seu pouco peso.

 

Os sintomas de deficiência de zinco podem ser confundidos com infecção virótica. Da mesma maneira, a toxicidade produzida por aplicações inadequadas de alguns herbicidas levam a sintomas similares aos de deficiência de Zinco.

 

A deficiência ocorre mais frequentemente em solos de pH elevado ou nos que receberam grandes doses de calcário ou em solos com alto teor de matéria-orgânica e, quando do excesso de fósforo, devido ao antagonismo fósforo/zinco.

 

 

3.3 Cobre

 

O cobre tem funções ligadas ao desenvolvimento interno da planta, principalmente no crescimento do filho (rebento) e, atuando junto e fazendo parte de uma séria de enzimas.

 

Segundo DELVIN (1982), este micronutriente é, ainda, necessário para o desenvolvimento normal do processo de fotossíntese.

 

O cobre é ativamente absorvido pela bananeira e se desloca facilmente pelos diversos órgãos desta, sendo pouco frequente a sua falta em condições de campo.

 

A sua carência, leva ao enfraquecimento geral da planta, principalmente na segunda geração, levando ao encurtamento da nervura central e das pontas das folhas em direção ao pseudocaule.

 

Pode ocorrer alguns sintomas de toxidez induzidas pelo elevado uso de fungicidas cúpricos, que levam a uma redução do crescimento, principalmente do sistema radicular.

 

Ainda, solos com elevados teores de matéria orgânica apresentam menos problemas de toxidez com cobre pois, apresentam a capacidade de combinar-se facilmente com este elemento, eliminando-o da solução do solo evitando-se assim, qualquer possiblidade de toxidez (CORDEIRO & RAMIREZ, 1979).Já solos arenosos, com baixos teores de matéria orgânica, podem apresentar deficiência de Cobre devido as perdas deste elemento por lixiviação (INSTITUTO DE LA POTASSA & EL FOSFORO, 1988).

 

 

3.4 - Ferro

 

O ferro tem sua função ligada a atividade de enzimas, principalmente as responsáveis pela formação de proteínas e na formação da clorofila, participando, ainda, no transporte de elétrons da fotossíntese e no processo de respiração da planta.

 

Os sintomas de deficiência ocorrem nas folhas mais novas, que tornam-se de cor verde-amarelada ou amarelo-parda e, com as nervuras principal e secundárias permanecendo verdes, podendo ocorrer, ainda, a queda dessas folhas. No entanto, a exigência da bananeira quanto a esse micronutriente é muito pequena.

 

É mais comum inclusive, observar-se a toxidez por este elemento do que sua deficiência. Em solos pesados e em épocas chuvosas podem aparecer sintomas de toxidez de ferro que se caracterizam por uma necrose marginal de cor negra nas folhas mais velhas. Em locais com excesso de umidade, recomenda-se efetuar a drenagem dessas áreas visando evitar-se a toxidez de ferro.

 

Em solos ácidos e com baixa fertilidade é possível observar-se sintomas  da toxidez de ferro.

 

 

3.5 - Manganês

 

O manganês tem funções no processo enzimático da planta, na reprodução celular e na produção de proteínas, sendo essencial ainda no processo de respiração e no metabolismo do nitrogênio

 

Os sintomas de carência iniciam-se com uma clorose nas folhas II, III e IV e depois nas mais novas e mais velhas, com um amarelecimento das margens, que progride para a nervura principal, permanecendo verdes os espaços internervais, levando a morte prematura das folhas (JORDINE, 19620 e, inclusive, a perdas elevadas na produção no caso de deficiência severa, causada, muitas vezes, pelo excesso no uso da calagem ou quando da presença de solos com alto teor de matéria orgânica.

 

Quando da presença de solos com pH muito baixo (acidez) o manganês pode chegar à níveis toxicos.

 

 

3.6 - Molibdênio

 

O molibdênio é necessário para a formação da enzima nitrato redutase, que reduz o nitrato a amônio dentro da planta, O molibdênio intervem ainda, no metabolismo do fósforo (DELVIN, 1982).

 

Ao contrário do que ocorre com o boro, ferro, cobre e zinco, a disponibilidade de molibdênio aumenta a medida que se eleva o pH do solo (SARASOLA & ROCCA, 1975).

 

De qualquer forma, as necessidades de molibdênio no cultivo da banana são bastante reduzidas, não sendo relatado os sintomas de sua carência em condições de campo.

 

 

3.7 – Sódio e Cloro

 

O sódio não é um micronutriente essencial para a bananeira, sendo esta é sensível ao seu excesso, quando sua toxidez provoca enegrecimento dos bordos das folhas, seguida de necrose, além de uma clorose marginal das folhas mais velhas.

 

As bananeiras são mais sensíveis ao sódio do que ao cloro. No entanto, quando ocorre toxidez de cloro o desenvolvimento do filho é fraco e o fruto da banana não "engorda".

 

Desta forma, na instalação da cultura, deve-se preferir classes de solos onde não ocorra o excesso de sais. Torna-se freqüente, o excesso de sódio, principalmente em área irrigadas, que levam a salinização. Salientamos ainda, que a tolerância à toxicidade aos sais varia segundo o grupo genômico do cultivar.

 

 

4. Análises nutricionais

 

As recomendações de calagem e adubação para a cultura da banana devem ser feitas baseadas nos resultados da análise do solo e foliar, bem como, de acordo com os períodos de maior demanda de nutrientes.

 

Além disso, estas análises servem como parâmetros para o desenvolvimento de um histórico nutricional do bananal, importante na calibração das doses de nutrientes, no acompanhamento da fertilidade do solo e na tomada de decisões referentes ao retorno econômico do bananal (investimento x retorno).

 

 

4.1 Análise foliar

 

A análise foliar consiste na utilização da planta como solução extratora dos elementos disponíveis no solo, refletindo pois, o estado nutricional da planta. Como as folhas são os órgãos da planta em que ocorre maior atividade química, a análise foliar é utilizada para determinar deficiências e/ou toxidez, principalmente quando os sintomas visuais são semelhantes, podendo confundir o diagnóstico ou quando várias deficiências se manifestam simultaneamente.

 

Convém lembrar, no entanto, que quando aparecem os sintomas visuais de deficiência dos nutrientes, a cultura já perdeu uma alta porcentagem de seu potencial produtivo. Por esta razão é recomendável detectar-se estas deficiências antes que estas se apresentem em forma de sintomas visuais característicos.

 

Geralmente a planta pode sofrer deficiências sem contudo mostrar nenhum sintoma visual ("fome oculta").

 

Sugere-se pois a realização da análise foliar, anualmente, fazendo-se desta forma ajustes no programa de adubação, bem como para avaliar e recomendar a necessidade de aplicação de micronutrientes.

Amostragem

A folha a ser amostrada é a terceira a contar do ápice, que se coleta com a inflorescência no estádio de todas as pencas femininas e não mais de três pencas de flores masculinas descobertas (sem brácteas). Faz-se a coleta de 10 - 25cm da parte interna mediana do limbo foliar, eliminando-se a nervura central.



Figura 1 – Prodecimento de amostragem para análise foliar.

Fonte: BORGES e OLIVEIRA (1955)

 

Recomenda-se amostrar de 10 a 20 plantas quando 10% das bananeiras estiverem floradas numa área de 1 a 4 ha.

 

Após a coleta, as amostras devem ser acondicionadas em sacos de papel e encaminhadas para o laboratório de análise.

Interpretação dos Resultados

Os teores médios de micronutrientes encontrados nas folhas da bananeira são:

Cl: 0,76%; B: 16,8 ppm; Cu: 12,1ppm; Fe: 150ppm; Mn: 1476ppm; Mo: 0,155ppm; Zn: 17,6ppm e Al: 41,3ppm.

 

No entanto, são poucos os dados com relação aos micronutrientes, que podem ser definidos como teores-padrões para a cultura da banana, baseados na correlação entre a concentração do nutriente nas folhas e o desenvolvimento ou produtividade da cultura.

 

De qualquer forma, os dados apresentados na tabela abaixo, podem ser utilizados como referência.

 

Tabela 3 – Teores de micronutrientes na parte interna dolimbo, 3ª folha, no estádio da inflorescência descoberta (amostra internacional de referência).

 

Elementos

Deficiência

Baixo

Ótimo

Toxidez

Cl (%)

 

 

0,9 – 1,8

> 3,5

Fe (ppm)

45

 

80 - 360

 

Mn (ppm)

40 – 150

 

200 - 1800

> 3000

Zn (ppm)

6 - 17

 

20 - 50

 

Cu (ppm)

 

< 5

11 - 24

>25

B (ppm)

 

< 10

10 - 25

30 - 100

Na (ppm)

 

< 60

 

> 3500

Fpnte: IFA (1992) em Borges e Oliveira (1995) FRUPEX

 

Moreira, (1996) apresentara para Zn, Mn e B os seguintes resultados para interpretação, quando da análise foliar:

 

Boro (ppm): 11,0 – 25,0 (bom)  8,0 – 10,0 (crítico) e < 7,0 (agudo)

Zinco (ppm): 20,0 - 50,0  (bom)     17,0 - 19,0 (crítico) e < 16 (agudo)

Manganês (ppm): 200 – 1500 (bom) 100 – 199 (crítico) < 99 (agudo)

 

Ainda, Penteado e Mendonça (2005), apresentam conforme tabela abaixo as seguintes indicações para a análise foliar.

 

TABELA 3 – Níveis de microutrientes em bananeira na análise foliar 

Elemento/nívelL

Baixo

Médio

Alto

Muito alto

Boro

10 - 16

16 - 19

20 - 29

> 30

Zinco

20 - 29

30 - 40

41 - 50

 

Manganês

200 - 399

400 600

601 - 2000

> 3000

Penteado e Mendonça (2005)

 

4.2 – Análise química do solo

 

Para a fertilização do bananal é imprescindível a análise química do solo, que permite a determinação dos nutrientes presentes no solo e por conseguinte as recomendações de adubos e corretivos que devem ser aplicados.

Amostragem

Retirar de 15 a 20 subamostras para formar uma amostra representativa do solo, da regîão onde as raízes se desenvolvem, na camada de 0 - 20cm, dentro de uma área uniforme (tipo de solo, produtividade, relevo, histórico da área, cultivar), sendo pois encaminhado para o laboratório para os devidos procedimentos.

 

A análise de solo deve ser realizada também anualmente, permitindo-se manter o nível adequado de nutrientes durante o ciclo da planta.

Interpretação dos Resultados

Com relação aos níveis de micronutrientes no solo, podemos indicar conforme abaixo para Zn, Mn e B os seguintes teores (segundo Moreira, 1996):

 

Boro (ppm): < 0,2 (baixo)  0,2 - 0,6 (médio) > 0,6 (alto)

Zinco (ppm): < 6 (baixo)  6  - 15 (médio) > 15 (alto)

Manganês (ppm): < 1,4 (baixo)  1,4 - 5 (médio) > 5 (alto)

 

5. Abubação com micronutrientes

 

Segundo BORGES E OLIVEIRA (1995), a deficiência de boro pode ser corrigida com a aplicação no solo de 10 a 20g de boráx por planta. WALMSLEY & TUYFORD (1976), recomendam 5 Kg/ha no primeiro ciclo e 1 kg/ha nos ciclos posteriores, ainda pode-se realizar a pulverização das folhas com ácido bórico à 0,3%. A resposta a aplicação de  boro é melhor quando aplicado via solo.

 

A deficiência de zinco, pode ser corrigida com a aplicação no solo de 15 a 30g/planta de sulfato de zinco ou mediante pulverizações foliares com óxido de zinco na concentração de 20g de ZnO/10 litros de água ou com sulfato de zinco à 0,5%.

 

De acordo com o Boletim 100 do IAC, no caso de solos com menos de 1,3mg/dm3 de Zn, aplicar na adubação de plantio, 5 Kg/ha de zinco.

 

Para a adubação com micronutrientes na fase produtiva da cultura, o Boletim 100 recomenda, quando constatada a deficiência de zinco nas folhas, aplicar anualmente 25g de sulfato de zinco e 10g de ácido bórico no orifício aberto no rizoma, pela "lurdinha" por ocasião do desbaste.

 

Com relação a adubação foliar, esta pode ser feita em atomização, utilizando-se os mesmos esquemas e equipamentos desenvolvidos para o controle do Mal-de-Sigatoka. As pulverizações devem ser realizadas no final da tarde, quando a temperatura ambiente é mais baixa e há maior umidade relativa, evitando-se assim uma possível ocorrência de queimaduras nas folhas.

 

As folhas da bananeira são eficientes na absorção dos elementos minerais, no entanto outros fatores estão relacionados nesta absorção como os referentes a mobilização dos nutrientes (preferindo-se por exemplo a aplicação de micronutrientes pouco móveis como o boro, via solo) e os fatores inerentes às soluções aplicadas, como por exemplo, a concentração, a mistura e o pH (maior absorção com pH =7).

 

Quando o fertilizante aplicado por via foliar é quelatizado estes problemas são minimizados, visto que são mais facilmente e em maior quantidade absorvidos.

 

De forma geral, as concentrações recomendadas para um adubação foliar podem seguir conforme abaixo:

 

  • Ácido bórico:                                               0,1%
  • Sulfato de cobre:                             0,5% (neutralizado com cal)
  • Sulfato ferroso:                                0,5%
  • Sulfato de manganês:                     0,25%
  • Molibdato de sódio ou de amônio:           4mg/l de molibdênio
  • Sulfato de zinco:                              0,5%

 

Em plantas adultas, as aplicações são feitas a baixo volume, com 30 litros/ha, podendo-se acrescentar à mistura uréia (5%), cloreto de potássio (5%) e sulfato de magnésio (3%).

 

 

6. Fontes de micronutrientes

 

  • Boro:              áciodo bórico (17%B); boráx (11%B);

 

  • Cobre:                       sulfato de cobre (13%Cu);

 

  • Manganês:    sulfato de manganês (25%Mn); óxido de manganês (41%Mn);

 

  • Zinco:             sulfato de zinco (20%Zn); óxido de zinco (50%Zn);

 

Pode-se ainda, utilizar-se das fritas como fonte de micronutrientes, principlamente quando de uma deficiência generalizada, aplicando-se 30 gramas/planta/ano das seguintes possibilidades:

 

 

Zn

B

Cu

Fe

Mn

Mo

Co

FTE BR - Banana

18

1

1

3

1

0,08

0,01

FTE BR - 12

9

1,8

0,8

3

2

0,10

-

FTE BR - 18

18

3,6

1,6

-

-

0,2

-

FNA BR - Canana

15

1

0,85

3

2,10

-

-

 

7. Bibliografia consultada

 

AZEREDO, J.A., GENÚ, P.J.C., AQUINO, A.R.L., CAMPELO Jr, J.H. e RODRIGUEZ, A.P.M. Nutrição Mineral e Adubação da Bananeira. Em: Nutrição Mineral e Adubação de Frutíferas Tropicais. Haag, H.P. (coord.), Campinas, Fundação Cargill, 1986, 345p.

 

BORGES, A.L. e OLIVEIRA, A.M.G. Nutrição e Adubação da Bananeira. Em: Banana para Exportação - Aspectos Técnicos da Produção. EMBRAPA (Série Publicações técnicas FRUPEX - 18), 1995, 106p.

 

MOREIRA, R.S. Banana: teoria e prática de cultivo. Campinas, Fundação Cargill, 1987, 335p.

 

MOREIRA, R.S. Nutrição Mineral da Bananeira. Curso de Atualização em Bananicultura, Avaré, CATI/SAA, 1996 (PALESTRA).

 

M , LÓPES .A ; M,ESPINOSA . J. Manual de Nutricion y Fertilizacion del Banano – Instituto de la Potasa y el Fósforo – Quito –Ecuador – 1995.

 

PENTEADO, L.A.C.; MENDONÇA, J.C. Cultura da Banana. Guia de Identificação de Deficiências Nutricionais. Programa de Produção Integrada – BANANA – SAA-SP/CATI/MAPA/CNPq. (Caderno de Campo).

 

RANGEL, A. PENTEADO, L.A.C., TONET, R.M. Banana (Musa sp) Manual Técnico das Culturas - Fruticultura, CATI/SAA, Campinas, 1997 p. 25 - 44.

 

TEIXEIRA, L.A.J., SPIRONELLO,A., QUAGGIO,J.A. e FURLANI, P.R. Banana. Em: Recomendações de Adubação e Calagem para o Estado de São Paulo, 2 ed. Campinas, IAC, 1996. p. 131 - 132 (Boletim Técnico, 100).